11 de julho de 2018

Cena 1: O Impeladô


CÔLOCá na Zina, o Zinês
Tem o ôlio puzadim
Mas eu digo pla vocês
Que nem semple foi assim!
O malvado Impeladô
Disse a todos com rancô:
“Quem ousá oliá pla mim
Mais cedo velá seu fim.”
O Zinês pla não morrê
Dêzô ôlio fêzadim
Puzava até doê
E ele ficô assim.
[Entra o imperador]
Aí vem o Impeladô!
Puza o ôlio, pufavô!
Aí vem o Impeladô!
Puza o ôlio, pufavô!
[Todos correm de um lado para o outro, certificando-se que todos na plateia estejam com o olho puxado. O imperador segue impaciente seu trono e todos fazem reverência.]

IMPELADÔ: Tlagam zá os inventoles,
Os magos e constlutoles.
[A guarda imperial corre de um lado para o outro. Entre os integrantes do coro, os inventores, magos e construtores são trazidos à presença do imperador, que anotam as demandas do imperador à medida que ele as declara. O imperador não interrompe seu discurso enquanto isso acontece.]
Peguem pena e nankin
Táblete e pegamim
Esclevam zá pla postá
Tudo o que eu vos odená:
Quelo um tlono mais doulado
Tôles de pédla e de aço
Pla que quem vêza o palácio
Saia daqui assomblado
E diga pla toda zente:
“Não coniêço impeladô
Mais podeloso e valente
Do que aquele Impeladô
Que domina o Oliente.”
O estlanzêlo temelá
A glandeza do meu podê
E quando eu me aplozimá
Seu rosto vai escondê.
Pois dêntlo desta mulália
Que rodeia toda Zina
Quem apontá qualqué fália
Em mínea glólia divina
Recebelá da naválea
A paga que melecê.
Pla que todos possam vê
Que não há impeladô
Mais podeloso e valente
Do que este Impeladô
Que domina o Oliente.
[Os inventores, magos e construtores voltam a integrar o coro que ocupam-se das demandas que receberam. O imperador, não tendo o que fazer, senta entediado em seu trono.]
Tlagam zá os doutoles,
Boticálios e cantoles
Peguem pena e nankin
Táblete e pegamim
Esclevam zá pla postá
Tudo o que eu vos odená:
Pleciso d’um bom remédio
Pla me livlá desse tédio.
Qualqué coisa que seza
Com feiúla ou com beleza
Pla que eu possa me aleglá.
[O chefe da guarda faz sinal para que a guarda providencie o remédio. A guarda se retira. O coro dirige-se à plateia.]

CÔLO: Tão podeloso e tão flaco,
Este é nosso Impeladô.
No colação, um bulaco
Esculo e assustadô.
Se nem todo seu tesôlo
Ou seus domínios sem fim
Podem agladá o tolo
Ou deizá-lo mais calmim,
De que adianta o diniêlo
Se ele vive assim sozim?
Aí vem o Zadinêlo.
Há ploblemas no zadim?
[A guarda volta com o Jardineiro]

ZADINÊLO: Não plecisa me empulá
Qu’eu zá conieço o camim.
[o jardineiro faz reverência ao imperador]
Mazestoso impeladô
Tênio muito o que falá
Mas plefilo que o côlo
Não fique aqui pla escutá
É um terrô! É um estôlo!
O que tênio pla contá.

IMPELADÔ: Saiam todos, vão zá pla lá
Que ouvilei esse… [se atrapalha com a rima, olha para o jardineiro e continua] … que ouvilei esse tolo.
[A guarda empurra o coro. Todos saem. Ficam o imperador e o jardineiro]
Ufa! Saílam todos. Não aguentava mais falá em rimas. Mó difícil essa rima pla “estôlo”, né? Diga-me lá, Zadinêlo? Que assunto tão glave te tlôze à mínea plesença?

ZADINÊLO: Mazestade, os fílios dos camponeses tacalam pédlas nas romanzêlas ôtla vez. O pomá tá destluído. Zá não sei o que fazê. O Impeladô do Zapão e o Plezidente do Blaziu estão pla zegá, né? Não pode ficá com zadim seio de pédlas e com as plantas quebladas.

IMPELADÔ: E poquê plantô romanzêlas? Eu não disse pla não plantá ávole que dá fluto? Tlagam zá o Sábio Zinês pla ensiná este zadinêlo como cuidá do meu zadim.
[O chefe da guarda faz sinal para a guarda, que sai e volta com o sábio.]
Honolável Sábio Zinês. O que diz nos seus livlos soble as ávoles? Ensina o zadinêlo o que ele plecisa plantá no meu zadim.

SÁBIO: O honolável livlo da sabedolia zineza diz que... [procura no livro e não acha nada] Sôble as ávoles?... O honolável lívlo da sabedolia zineza diz que... [procura no livro novamente e encontra alguma coisa] Oh, sim! Aqui está... “O zadinêlo é Zezus e as ávoles somos nozes”.

IMPELADÔ: Não. Não. Sôble os flutos. Os flutos das ávoles.

SÁBIO: Ah sim! Os flutos, clalo! Flutos... isso: [procura novamente no livro e acha mais alguma coisa] Aqui está! “O zadinêlo fiel cólie os flutos que planta. Se o zadinêlo não planta nada, não cólie coisa neniúma, né?”

IMPELADÔ: Não, não! Não é isso. Sôble as pedladas, honolável Sábio, as PE-DLA-DAS.

SÁBIO: Oh, Clalo, clalo! Mas isso eu não pleciso nem oliá no livlo. As pedaladas fotalece as péna e os glútio, né? Dêssa o zadinêlo gostoso, né? As muié gosta de zadinêlo que pedala, né? Honolável Zadinêlo complô bicicleta nova?

IMPELADÔ: [impaciente, pega o livro e escreve algo nele e o devolve para o sábio, apontando onde escreveu] Honolável Sábio Zinês, o que diz no livlo da sabedolia zinesa soble as “ávoles”?

SÁBIO: “Ávoles que dão bons flutos estão mais suzeitas a levá pedladas.” (?)

IMPELADÔ: Zadinêlo, se não qué que as ávoles sezam apedlezadas, plante lizia ao invés de romanzêlas, né? Agola vá. Delube as ávoles que dão bons flutos e plante floles no pomá. Quelo lílios doulados e rosas azuis nos cantêlos mais à mostla.
Ah, coloque também sinos tilintantes nas floles mais bonitas, assim todos que passalem pelo zadim, selão obligados a oliá plas floles mais belas e sabelão que neniúm zadim do mundo se compala ao zadim do Impeladô Wu.

SÁBIO: Honolável Impeladô, se me pemite, suzila aos visitantes que postem uma foto no Instaglam com a rezitégui que melió descleve sua visita. Assim sabelá qual de suas honoláveis posses mais agladô seus adimiladoles, se foi o zadim de floles tilintantes ou seu tlono feito da mais fina pocelana. Vossa mazestade possui tantos bens que ficalá difícil escoliê qual deles melece maió adimilação.

IMPELADÔ: Que ideia inclível me ocoleu agola. Suzilei aos visitantes que postem uma foto no Instaglam com a rezitégui que melió descleve sua visita. Assim sabelei qual de míneas honoláveis posses mais agladô meus adimiladoles. Eu possuo tantos bens que ficalá difícil escoliê qual deles melece maió adimilação.
Zá posso até vê as rezitéguis: #ZinaSuaLinda #MazestosoImpeladô #ImpeladôWuEhDez.

SÁBIO: Sim, za posso vê as rezitéguis também #SelfieComZadinêloGostoso #ÓliaEssaBicicleta [olhando para as pernas e glúteos do jardineiro]
[O jardineiro gosta do elogio, percebe que o imperador está irritado e olha para o sábio com um olhar reprovador.]

ZADINÊLO: [tomando a frente do sábio] #SelfieNoLindoZadimDoImpeladô [agora, falando somente para a platéia] #ImpeladôWuEhUoh  [O imperador olha querendo entender o que ele disse] #ImpeladôWuEhHykaahh...

IMPELADÔ: Aplesse-se homem, vá zá consetá meu zadim.
[Jardineiro fica. Entra coro mudando o cenário para um jardim. Saem o sábio e o imperador por trás das plantas. O jardineiro começa a mudar as plantas de lugar.]



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