3 de fevereiro de 2017

Capítulo 28: Ovelhas Perdidas

03 fevereiro Escrito por Eliude Santos , , Comente aqui
Sanvi, Sansanvi e Semanguelai desceram o monte até o Vale de Adão. Já era noite quando eles chegaram à pequena aldeia.

Havan e Azura faziam vigília. Elas tinham espalhado armadilhas ao redor do assentamento, mas tais arapucas aparentemente não haviam detido os três estrangeiros, que passaram despercebidos pelas duas.

Eva estava apreensiva porquanto Abu e Adão ainda não haviam retornado. Ela apagou a tocha e tentou dormir, mas nunca seu leito lhe parecera tão desconfortável.

Levantou-se com o choro dos pequenos. Amamentou primeiro os gêmeos do último parto e depois os do parto anterior. Ainda no peito, os infantes já iam adormecendo, um após o outro.

Ela massageou sua barriga já crescida com óleo de oliva e ervas de cheiro. Estava cansada, mas não voltou para o seu leito. Sua preocupação era maior que seu cansaço. Abriu a cortina de peles que dava para a soleira da choupana e apoiou-se em um dos pilares de pedra, erguendo a cabeça na direção do topo do monte.

Queria ver se o fogo do sacrifício ainda estava aceso. Não estava. A noite estava escura como breu. Por que seu esposo ainda não voltara para casa? E por que seu filho demorava tanto a aparecer?

Quando voltava para o seu leito, os estrangeiros bateram os pés na soleira de sua choupana.

“Boa noite.”

“Quem está aí?” Disse Eva assustada enquanto corria para proteger seus bebês, que acordaram com o alvoroço da mãe e voltaram a chorar.

“Não te preocupes. Estamos de passagem.” Disse Sansanvi.

Eva tentava achar algum carvão ainda em brasa para acender novamente a tocha que acabara de apagar.

“Algo te perturba? Não hesites em nos dizer se há qualquer coisa que possamos fazer para te ajudar.” Semanguelai tentou acalmar a mulher.

“Estou bem.” Eva parecia não querer estender a conversa. Nem perguntou quem eram, só se ocupou de acalmar os bebês.

“Não queremos causar nenhum incômodo. Estamos somente de passagem.” Reafirmou Sansanvi.

“Teu esposo construiu estas belas habitações?” Sanvi apoiara-se na coluna de pedra para testar sua resistência.

“Sim. Habitávamos o interior de uma rocha, mas depois que nos nasceram os primeiros gêmeos, decidimos que seria mais tranquilo se descêssemos a este vale. Aqui ele ergueu estas choupanas de pedra e madeira onde temos feito habitação.”

“Fizeram bem.” Disse Sansanvi.

“Teus filhos maiores já sabem ler e escrever?” Perguntou Semanguelai.

“Não nos ocupamos com isto ainda. Mas eles sabem fazer contas e conhecem as constelações, do contrário não seriam bons pastores, nem saberiam os tempos e as estações de plantio e colheita. E pereceríamos todos nessa terra árida e de poucas chuvas.” Disse Eva.

“Diz ao teu esposo que, neste momento, palestras são mais importantes que altares. Teus filhos precisam ser instruídos no conhecimento que recebestes de vossos Pais a fim de que possam repassá-los a seus filhos e aos filhos de seus filhos, de modo que aprendam a pensar por si mesmos a partir da observação do mundo ao seu redor, e não se deixem levar por quaisquer ventos de novidades ou superstições que lhes afastem do conhecimento da verdade.” Disse Semanguelai com um tom de urgência em suas palavras.

“Sabes o que são estas palestras de que vos fala o meu companheiro? Sabe também o teu esposo para que servem estas construções?” Sansanvi indagou preocupado.

“Não acredito que meu esposo saiba o que são tais palestras, senão já as teria construído. Ele é um bom pai e preza pelo bem estar de seus filhos.” Disse Eva com firmeza.

“Não duvidamos que seja. Teus filhos parecem pequenos raios de luz nesta terra escura e triste onde habitais.” Disse Sanvi ao perceber que Eva se incomodara com o modo como seus companheiros haviam abordado o assunto, “Uma palestra é um espaço onde os menores possam rir e se divertir e correr livremente como cabritos no pasto e, em seu ócio, ocuparem-se de seus pensamentos; um lugar onde os pequeninos possam descobrir as cores do mundo e os muitos milagres da natureza que os rodeia; um lugar para o fortalecimento do corpo e o enobrecimento da mente.”

“Um lugar onde os maiores possam receber o conhecimento das letras, dos ofícios, das artes e da história de teu povo. Afinal, um povo sem história, sem música e sem poesia não vive, apenas existe.” Acrescentou Semanguelai.

“Os homens esquecem facilmente seus próprios erros e os erros dos que vieram antes deles, prendendo-se a um ciclo de miséria e ignorância do qual é muito difícil escapar. Somente o conhecimento da verdade traz a libertação de tais ciclos e alguma possibilidade de crescimento.” Completou Sanvi.

“Meu esposo não tarda a chegar. Podeis dizer a ele o que quiserdes. Mas meus filhos despertaram e preciso ocupar-me para que voltem a dormir.” Eva não sabia o que aqueles homens queriam à porta de sua morada àquela hora da noite e esperava que eles entendessem que não era um bom momento para se apearem por ali.

“Estamos de passagem, como dissemos. E já seguiremos nosso caminho.” Disse Sansanvi. “Nos veremos em breve.”

Os três seguiram em frente, conversando entre si. Eva ficou apreensiva com aquela visita inesperada.

Tendo aquietado seus filhos, ela correu por todas as habitações do assentamento para ver se todos os outros estavam bem.

Havan e Azura viram-na com a tocha indo de um lado para o outro, e correram até ela.

“O que houve, minha mãe?”

“Não vistes três homens aproximando-se agora há pouco do assentamento?”

“Ninguém passou por nós. Colocamos armadilhas em todos os arredores do vale. Saberíamos se alguém houvesse cruzado por aqui.”

Neste momento, ouviu-se um grito. As três correram na direção do som.

Era Adão que caíra em uma das armadilhas de suas filhas.

Elas o resgataram.

Adão e Eva seguiram caminho, enquanto suas filhas permaneceram ali restaurando a armadilha.

“O que te deteve por tanto tempo no altar? Estava apreensiva com tua demora. Além disso, três estrangeiros estiveram no vale agora há pouco.”

“Não te preocupes, eles passaram antes por mim no altar. Parecem ser homens de bem.”

“Homens de bem teriam abordado uma mulher sozinha a esta hora da noite?”

“O que te disseram? Fizeram-te algum mal?”

“Não fizeram mal algum. Somente disseram que erramos em construir o altar antes de erguermos um lugar onde pudéssemos instruir nossos filhos.”

“Já não os instruímos em tudo o que precisam saber?”

“Eles disseram que precisávamos manter um registro de nossos dias para que nossos filhos e os filhos de nossos filhos pudessem crescer em entendimento a fim de não cometerem os erros dos que vieram antes deles. Acho que falavam de nossa transgressão no Jardim.”

“Um pastor de homens veio a mim no altar e disse que tal transgressão abriria precedente para que nossos filhos se rebelassem contra nós no futuro, a menos que lhes atássemos pelos laços de uma religião severa e punições mais rígidas.”

“Religião?”

“Ao que me parece, são rituais e instruções de conduta que impõem certos limites nas ações de nossos filhos a fim de que, fazendo a vontade de seu pastor, possam ser conduzidos de volta ao redil de seu Criador.”

“Parece ser o oposto do que os estrangeiros nos instruíram a fazer. Eles disseram-me para construirmos palestras a fim de que, ganhando conhecimento, nossos filhos pudessem escolher por si mesmos que caminho seguir.”

“O pastor disse que devido à nossa transgressão, nossos filhos carregavam a centelha da maldade dentro deles.”

“Os mensageiros disseram que eles eram como raios de sol que fariam resplandecer esta terra escura e triste.”

“Um parece enxergar somente a maldade; e os outros, somente a bondade que há em nós. E se, de fato, todos somos luz e trevas em constante combate até que por fim se defina nossa essência arrastando-nos para o abismo ou empurrando-nos para a luz?” Observou Adão.

“Em quaisquer das visões, não é melhor que deixemos que essa luz resplandeça usando apenas o azeite do conhecimento que nos foi ofertado pelo Altíssimo, sem o vinagre dessas filosofias pastoris que mais parecem entorpecer que de fato libertar? Talvez os estrangeiros estejam certos quando disseram que devemos erguer tais palestras.” Sugeriu Eva.

“Estás certa. Abu já voltou com as ovelhas?”

“Ainda não.”

Percebendo a aflição nas palavras de sua esposa, Adão a abraçou, acariciando-lhe o ventre já crescido.

Abu não voltou naquela noite, nem nas noites seguintes.

Adão e Abel decidiram sair à sua procura. Subiram montes e colinas, cruzaram riachos e corredeiras, vasculhando cada recanto em todo o entorno do vale e nada encontraram.

Voltaram ao assentamento e, na manhã seguinte, saíram novamente à procura de Abu.

Estavam sob a sombra de uma oliveira quando ouviram os berros de alguns cordeiros. Saíram correndo e encontraram o rebanho que se perdera. Os cordeiros estavam todos juntos e tranquilos, como se houvessem sido pastoreados até ali. No entanto, Abu não estava por perto.

Abel cuidou do rebanho enquanto Adão seguiu o rastro que haviam deixado para ver se encontrava o paradeiro de seu filho, afinal, talvez ele tivesse voltado atrás de alguma ovelha perdida.

Adão nada encontrou.

Ele e Abel voltaram para o assentamento guiando o rebanho ao seu redil.

Eva chorou por três dias por não saber o que sucedera ao seu filho.

O fato é que, tendo encontrado o rebanho, Abu deteve-se à procura de Pandora por mais três dias e, na noite do terceiro dia, quando estava para desistir e voltar para o assentamento de seus pais, foi encontrado pelos símios e levado em cativeiro, junto com os cordeiros que eles conseguiram capturar.

Abu foi mantido na caverna dos símios por muitos dias esperando que Pandora finalmente voltasse de sua peregrinação pelas terras áridas do Vale de Adão.

Na noite em que Abu foi capturado, Pandora, que àquele momento não estava muito distante, de modo que por pouco ele a teria encontrado, ouviu o alvoroço de rebanhos sendo dispersos e correu até lá.

Chegando, escutou os berros dos cordeiros ecoando no vale e seus cascos batendo contra as rochas duras ou esmagando a grama seca dos arredores. E, em sua mente, criou uma imagem sonora do lugar.

Esforçando-se para reconhecer onde estava o cordeiro mais distante, correu até ele e foi tangendo o berro de um para perto do berro do outro, até juntar uma massa coesa de cordeiros que, por sentirem-se resguardados, acalmaram-se, como fazem os rebanhos ao perceberem que a ameaça já se foi.

Ela então guiou os cordeiros na direção do assentamento de Adão, que ficava nalgum lugar onde se põe o Sol.

Cega como estava, orientava-se pelo calor da manhã que lhe aquecia as costas ou da tarde que lhe queimava a fronte e lhe dizia que direção tomar.

Ao meio dia, parou para descansar junto a um jardim de oliveiras. Ali ouviu vozes e subiu numa das árvores para esconder-se.

Era Adão e um outro de seus filhos. A voz de Adão estava mais aveludada que aquela que ele costumara ter quando habitara ao lado de Lilith no Jardim.

Adão disse a seu filho que ficasse ali e saiu para procurar por Abu.

Pandora pensou em descer da árvore, mas deteve-se ali. Quando Adão voltou e decidiu encerrar as buscas e voltar com Abel para o assentamento, ela os seguiu de longe.

Deteve-se em algum ponto do caminho quando ouviu a voz de duas jovens mulheres correndo na direção do rebanho. Elas falavam de trincheiras e emboscadas e ao que parece, abriram caminho para que todos seguissem em segurança.

Pandora ouviu o choro de uma mulher e as vozes de muitos jovens e crianças que pareciam abafadas por algum tipo de construção que se erguia mais adiante.

Ela arriscou entrar na aldeia. Subindo no topo de uma das choupanas sem que ninguém a visse.

“Tudo ficará bem.” Adão tentava acalmar sua esposa.

O vento frio anunciava a chegada da noite. A aldeia foi-se aquietando.

Enquanto todos dormiam, Adão deixou o vale e seguiu na direção do topo do monte. Pandora o acompanhou de longe.

Quando ele finalmente chegou ao topo, ela deu a volta sem que ele percebesse sua presença e ouviu os clamores daquele pai abatido.

“Quem é Este por quem chamas?” Pandora saltou sobre o altar.

“Quem és tu que maculas a santidade deste lugar?”

“Não te lembras de mim? Chamavas-me Lilith quando tentavas subir sobre meus lombos como um cavalo no cio; fugindo de ti, tornei-me Medusa, e deixei-me também enredar por alucinações que, ao me domarem os instintos, fizeram de mim uma besta de carga; mas hoje sou Pandora, senhora de mim e da noite que, sem lua e sem estrelas, escapou para fora de mim como um potro selvagem.”

“Não és Lilith. És um demônio que destila mentiras.”

“De fato, não sou Lilith. Não mais. Mas o que pensas ser um demônio, afinal?”

“Demônios são filhos rebeldes do Altíssimo que foram lançados sobre esta Terra como estrelas caídas do Céu para enganar aqueles que procuram fazer a vontade do Pai.”

Pandora riu.

“Por certo que sou rebelde. E, estando cega, minhas noites são longas e de fato sem estrelas. Mas jamais te enganaria, pois és meu irmão. Não tens culpa dos delírios de tua mente. No entanto, se eu pudesse abrir-te os olhos, te faria livre como hoje sou. Então, neste sentido, talvez eu seja este demônio de que falas.” Ela ergueu suas mãos como se fossem garras e sibilou como uma serpente pronta para saltar de cima do altar sobre Adão.

“Vai-te daqui.”

“Vou-me quando ouvires o que tenho a te dizer para que teus olhos se abram como os meus.”

“Se teus olhos estivessem abertos, terias vergonha de mostrar tua nudez neste lugar santo?”

“Desde quando a nudez é algo de que devemos nos envergonhar?” Pandora, saltou sobre Adão e acariciou-lhe o manto de couro que cobria um dos ombros e deixava o outro nu, onde pendia um colar com duas pedras cujo formato ela reconheceu ao toque. “Por que te escondes atrás destas peles que não são tuas?”

“Afasta-te de mim.” Adão empurrou a mulher.

“Não temas, meu irmão. Não quero fazer-te mal.”

“Não és minha irmã; sequer és filha do Altíssimo, porquanto Ele lançou-te fora de Sua presença, rejeitando-te a paternidade.”

“Se és Adão, sou tua irmã. Quanto a quem é nosso pai, pouco me importa.

O que sei é que esta solidão e falta de rumo nos entorpeceram desde o berço. Tal carência nos fez fantasiar coisas que nunca existiram como aqueles majestosos arranha-céus de ouro que avistávamos a leste do Jardim. No entanto, ao cruzarmos o fosso daquele ninho seguro que havíamos criado para nosso conforto, tais edifícios sumiram como que num piscar de olhos, assim como sumiu o próprio Éden atrás de nós, que decerto era outro delírio de nossa imaginação para o qual já não conseguimos regressar. Ou acaso encontraste as tais cidades que outrora inspiraram tua engenhosidade?”

“Não as podemos ver, mas elas estão aqui. Há mistérios que fogem ao nosso entendimento. No entanto, tudo pode nos ser dado a conhecer por Aquele que tudo conhece.”

“E quem é este que tudo sabe senão aquele que, consciente da própria ignorância, busca, por meio de observação cuidadosa, uma resposta para aquilo que antes não compreendia, sem deixar de pôr à prova suas questionáveis suposições; e, encontrando tal resposta, aduba com dúvidas as suas certezas até que se tornem tão firmes quanto a rocha sobre a qual finca o alicerce de suas construções?”

“Se és Lilith, sabes que Aquele de que falo é nosso Pai, que foi homem como nós e que teve dúvidas como nós e que, por observação cuidadosa, pondo à prova Suas convicções, cresceu de verdade em verdade, da completa ignorância até o conhecimento perfeito. Então, não fazes mal em querer seguir Seus passos enchendo-te de dúvidas.”

“Sigo os meus passos somente. Deixei de acreditar nessas fantasias de criança quando os olhos de minha carne falharam e os do meu entendimento se abriram. Cortei os cordões que me prendiam às ilusões que eu havia criado e corri livre pelo campo. Nunca fui tão feliz.

Tu olhas ao redor e pensas que tudo o que vês é prova da existência de um Criador. Mas o fato é que tudo isto é somente prova da própria existência: a pedra prova que pedras existem; a flor prova que flores existem; onde está este teu Pai para provar-me que Ele também é real?”

“Ele não precisa dar-te prova alguma. Pois, se teus olhos pudessem ver, e Ele se mostrasse a ti, dirias que Ele não passa de imaginação da tua mente; se Ele abrisse Sua boca e falasse por meio de tuas palavras, dirias que tua mente elaborou tal discurso; e se Ele estendesse os braços para te abraçar, e sentisses o calor de Sua pele e a tangibilidade de Seu corpo, dirias para ti mesma, ‘A mente humana é mesmo assombrosa!’

Se dizes que tua cegueira te faz ver melhor e minha visão me faz cego, estas são tuas palavras, tua verdade; e disso não posso te dissuadir; nem mesmo o Pai poderia. A não ser que Ele te permitisse provar do fruto da Árvore da Vida a fim de recobrares a lembrança de quem eras antes de nasceres, o que tornaria inútil tua jornada de autoconhecimento neste mundo.”

“Argumentos convenientes, meu irmão, mas nem um pouco convincentes. Foste enredado por teus delírios e não há nada que eu possa fazer para abrir-te os olhos.

Talvez por isso teu filho te ache tão rígido e demonstre ter tão pouca confiança pelas leis de tua casa.”

“O que dizes?”

“Este filho que buscas deitou-se comigo e agora carrego sua semente em meu ventre.”

“Sabes onde ele está?”

“À minha procura, por certo.”

“Ajuda-me a encontrá-lo.”

“O que me darias em troca?”

“Terias sempre um lugar à minha mesa.”

“Eu caço e planto minha própria comida.”  Lembrou-se do colar no peito de Adão. “Dá-me estas pedras que carregas penduradas sobre o peito.”

“Não posso. Estes cristais foram-me ofertados por meu Pai, como implementos comunicadores de Sua vontade e conhecimento.”

“E o que teu Pai está te dizendo agora através deles?”

“Não é assim que os oráculos funcionam.”

“Preferes apegar-te a estes amuletos e crenças infantis a ver teu filho em teus braços? Que pai exemplar te tornaste!”

“Então sabes onde ele está?”

“Já te disse que não sei. Não saberia dizer onde está minha sombra, queres que te diga onde está teu filho? Tu, que vês, levanta-te e vai atrás dele.

Tua esposa chora no Vale e tu choras no Monte. Em que isto vos ajuda?”

Adão já não tinha a paz que fora buscar junto ao altar. Levantou-se e desceu dali enquanto ela ainda falava.

Pandora deitou-se sobre a pedra fria e olhou para o céu que continuava escuro e vazio aos seus olhos.


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