6 de janeiro de 2017

Capítulo 23: A Justiça que Veio do Alto

06 janeiro Escrito por Eliude Santos , , Comente aqui
“É chegada a hora.” Ahman anunciou solenemente. “Uma importante série de eventos está para acontecer sob Nossos pés, conforme apontam os astros. E finalmente a engenhosa obra de Nossas mãos há de mover-se segundo o que planejamos.”

“Sim, meu Pai.” Yahweh seguiu até a escotilha. “Desceremos e revelaremos a porção que cada um deles precisa ouvir neste momento, assim como foi feito nos outros mundos antes deste.”

“Desçamos, Meu filho.”

Ahman e Yahweh desceram sobre um disco translúcido de luz que os conduziu à presença de Lilith, que agora atendia pelo nome de Medusa.

Ela transportava, com a ajuda de grandes animais de carga, várias esculturas feitas em pedra para uma terra ao sul do lugar de sua habitação.

Tais bestas colossais que, para tal fim, foram caçadas e domadas pela mulher arrastavam as gigantescas embarcações que haviam sido construídas conforme as instruções que ela recebera de seus senhores.

Movendo-se sobre a Terra ou, quando possível, seguindo a correnteza dos rios, curelons e cumons, fênices e zizes, lobos e leões, todos envoltos em fortes amarras, arrastavam os ídolos que as Górgonas haviam feito para serem espalhados pelos quatro cantos do Novo Mundo antes que os filhos dos homens chegassem àquelas terras.

No meio do caminho, uma luz forte ofuscou o Sol e uma voz que vinha do Céu disse, “Lilith, este é o Meu filho amado, Ouve-O.”

A mulher olhou para cima, mas mal conseguiu enxergar os vultos que se aproximavam, tão densa era a cascata ou véu de luz que os envolvia.

“Lilith, que fazes tão longe do Jardim? E por que estás sozinha?” Disse a outra voz.

“Não atendo mais por este nome. E vós, quem sois? Revelai-vos para que eu vos veja.”

“Eu sou o Filho do Altíssimo, o Senhor teu Deus. Não Nos apresentaremos diante de ti, porquanto não suportarias Nossa presença.”

“Como posso confiar em uma voz sem rosto ou uma luz sem forma? Se não podeis falar comigo face a face, permiti que siga meu caminho pois tenho muito a fazer.”

“Terias que ser arrebatada e transfigurada para que pudesses suportar Nossa presença, porquanto este lugar em que estás, assim como o tabernáculo que abriga tua essência eterna foram maculados. Nós não Nos revelamos e falamos contigo face a face porque presamos pelo teu bem-estar.”

A mulher aproximou-se da coluna de luz e esticou sua mão para espiar o que estava por trás daquele véu espesso que Os envolvia. A fresta aberta feriu-lhe os olhos como se fossem espadas afiadas e ela caiu por terra gritando.

“Meus olhos! O que fizestes, vis criaturas?”

“Não deverias ter tocado neste véu santo com teus dedos maculados; nem tampouco poderias ter avistado, com olhos impuros, a pureza dos teus Criadores. E porque não deste ouvidos às palavras de Nossa boca, colherás as consequências de tua imprudência.

Ecos de tua eternidade te assombrarão como relâmpagos numa noite escura e chuvosa, onde nem a Lua nem as estrelas te servirão por guia.

Cega, vagarás pelas planícies e vales e serás repudiada pelos filhos dos homens, encontrando vosso regaço somente entre as mais vis bestas do campo.

Todas as virtudes te escaparão como água por entre os dedos. E serás pomba de terreiro, que gira catando as migalhas enquanto gargalha da própria desgraça. Pois, despojada das graças que te haviam sido reservadas, serás como a filha que nas bodas recebeu um colar precioso de seu pai e nas núpcias o trocou pelas lembranças de um antigo amante.

Repudiada pelo esposo e pelo objeto de teu desejo, serás prostituta e te entregarás às bestas do campo e aos filhos da Terra e a única virtude que te resta é a esperança de um dia seres resgatada do profundo poço de miséria aonde foste parar.”

“Que espécie de ser divino proclama, por tão ínfimo delito, tamanha maldição sobre alguém? Se és de fato o filho do Altíssimo, por que saem tão grandes atrocidades de teus lábios?”

“O que pensas ser uma maldição?”

“Por que fazes perguntas das quais já sabes as respostas?”

“Digo-te, portanto, que uma maldição não é isto que pensas. Maldições não são encantamentos que conduzem o maldito à miséria; assim como bênçãos não são amuletos que salvam o bendito de quaisquer infortúnios.

Uma maldição é apenas a verbalização das consequências más associadas a um certo ato ou conduta, assim como uma bênção é a verbalização das consequências boas das ações que brotam de um intento puro.

De modo que todos são livres segundo a carne para agirem conforme sua vontade. E por suas ações e conduta, Nós que vemos além do marco, sabemos o que lhes pode recair sobre os ombros; e disso os advertimos.

Os atos são teus e suas consequências já foram afixadas pela Justiça, que existe antes mesmo dos Deuses iniciarem Suas obras de criação.

A essência de tuas ações cria no breu do futuro uma estrada tortuosa pela qual haverás de trilhar. Nossas palavras permitem que vejas com clareza o que há neste caminho que tens à tua frente. Mesmo que te revoltes contra esta candeia que acendemos e a lances por terra, não endireitarás a estrada, só a deixarás mais escura.”

“O que quereis de mim?” Gritou a mulher, tateando as pedras ao seu redor. “O que quereis de mim?” Chorou sozinha na escuridão de sua cegueira.

Em um instante, o disco de luz deslocou-se para as terras a leste do Pison, onde Kundalini deitava-se à sombra de uma oliveira.

A luz forte afastou as sombras e uma voz que vinha do Céu disse, “Kundalini, este é o Meu filho amado, Ouve-O.”

O dragão olhou para cima, mas tão densa era a cascata ou véu de luz que os envolvia que mal conseguia enxergar os vultos que se aproximavam.

“Kundalini, que fazes tão longe do Jardim? E por que não estás guardando as árvores proibidas?” Disse a outra voz.

O dragão levantou a cabeça e soltou um rugido feroz.

“Eras a mais inteligente das criaturas que trouxemos a esta Terra,” lamentou Yahweh, “mas deixaste-te encantar pela natureza selvagem de teus instintos e te afastaste da verdade.

Tua inteligência virou astúcia, tua voz se perdeu em tua garganta, tuas asas foram arrancadas de tuas costas por aqueles que te enganaram, e ainda assim, és a mais temida e destemida das bestas do Novo Mundo.

E porque não fizeste conforme te foi ordenado, a sabedoria de teu espírito esfriará e a natureza te arrancará as garras, de modo que te arrastarás pelo solo comendo pó pelo resto de teus dias.”

O dragão não abriu a boca, mas os Criadores conheciam seu coração e sabiam que Kundalini retorcia-se no veneno de sua mágoa.

“Se em tua fúria destilares no calcanhar do homem o teu veneno, pelo mesmo calcanhar serás esmagada, porquanto a cabeça que um dia foi tua maior virtude, agora é tua parte mais fraca.”

Kundalini deu um bote no disco de luz que sumiu diante de seus olhos.

Já no Jardim, Ahman e Yahweh puderam descer da nave e andar por entre as árvores, porquanto ali, o solo não havia sido maculado e a terra estava ainda em sua glória paradisíaca.

Eles conversavam entre si ao aproximarem-se de uma clareira no centro do Éden.

Lúcifer estava de pé, ao lado de Yggdrasil, Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal; e Adão e Eva, escondidos atrás da figueira de onde haviam arrancado as folhas para fazerem seus aventais.

Ahman chamou duas vezes por seu filho, mas Adão não respondeu.

“Por que chamas somente pelo homem, quando sabes que a mulher está ao seu lado?” Interrompeu Lúcifer.

Eva franziu a testa num misto de irritação e medo de ser descoberta.

Ahman perguntou, “Que fazes aqui, Satanás?”

“O mesmo que foi feito em outros mundos: vim trazer luz e conhecimento aos Teus filhos, pois se dependessem unicamente de Ti, permaneceriam neste estado de inocência para sempre.”

“Adão, onde estás?” O Altíssimo perguntou pela terceira vez.

Adão saiu timidamente de trás da figueira, ainda com a mente leve e o corpo febril e o falo enrijecido com o efeito do sangue que lhe enchia as veias. E Eva veio atrás dele.

“O que fazes aí que não Me respondes, meu filho?”

“Ouvi Tua voz e me escondi, porque estava nu.”

“Quem te disse que estavas nu? Acaso comeste do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal do qual te ordenamos que não comesses?”

Sentindo-se acuado, Adão puxou a pequena Eva pelo braço e a apresentou diante do seu Senhor.

“A mulher que me deste por companheira e a quem disseste que ficasse sempre ao meu lado comeu do fruto; e por tê-lo feito, seria expulsa do Jardim. Ela é apenas uma criança e precisa de mim. Eu não poderia permitir que, sendo exilada, ficasse sozinha em terras estrangeiras. Pois, se deve ela ficar sempre ao meu lado, devo eu também ficar sempre ao seu.

Quando ela me deu do fruto, eu o comi.”

“Eva,” disse Ahman para a menina, “o que foi que tu fizeste?”

“Lúcifer me enganou e eu comi.”

Voltando-se para aquele que um dia fora Seu filho mais brilhante e que há tanto já não via, o Altíssimo sentiu tremer o queixo quando a voz embargada lhe saiu.

“Como caíste do Céu, ó Estrela da Manhã, filho da Alva? Como foste cortado do Livro da Vida e lançado no pó desta Terra para debilitares as nações?

Tu, que em teu coração dizias, ‘Subirei ao Céu, acima das estrelas de Deus edificarei o meu trono, e nos Conselhos dos Deuses me assentarei triunfante. Subirei além das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.’

Contudo, desceste ao mais profundo dos abismos. E teu reino é agora um reino de trevas.

Quem te visse neste estado ficaria assombrado com tua queda; e, compadecido de tua condição, certamente diria, ‘É este o homem que faria estremecer a Terra e, em cuja presença, reinos e nações se curvariam? É este o homem que receberia um mundo desertificado e encheria de filhos as suas cidades?’

Tu foste criado para ser o Primeiro Pai, tu deverias ser o Adão desta Terra; e agora, o que te tornaste?”

Lúcifer sabia que alimentara ambições gloriosas e que sua atual situação em nada refletia as projeções que fizera de si mesmo, no entanto, era muito orgulhoso para admitir que seu Pai tivesse alguma razão naquele discurso.

“Tu sempre disseste que há uma oposição para todas as coisas. Agora entendo que sem minha intervenção, nada do que planejaste haveria de existir. De modo que, sendo a face escura da Lua, não deixo de ser Lua. E se alguém me olha e se apieda de mim é porque não entende a extensão de meu poder.”

Eloim não conseguia conter Sua frustração.

“Que poder que tu tens? O mais vil e poderoso dos monarcas que haverá de se levantar sobre a Terra descerá à sepultura como qualquer outro e ali fará morada.

Mas tu foste abortado da sepultura como um feto indesejado, sem honra, sem corpo, sem nada.

Porquanto, maculaste a tua herança e condenaste teu séquito a uma morte sem descanso, de modo que nem tu nem o terço de anjos que arrastaste contigo tereis descendência nesta Terra nem nos mundos por vir.”

“Se tu me amaldiçoares por eu ter feito o mesmo que foi feito em outros mundos, eu darei ordem aos espíritos que atendem ao meu comando para que se apossem dos corpos que criaste para Adão e Eva, assim como fiz com a primeira mulher e com todas as bestas do campo que por Teu descuido vieram a mim.”

“Tu conheces a Justiça. Não preciso lembrar-te das consequências de teus atos. No entanto, acautelarei a semente da mulher contra ti, de modo que ainda que tenhas poder de destilar teu veneno na alma dos homens mostrando-lhes suas fraquezas a fim de arrastá-los para o covil da miséria em que te encontras, enchendo-os de culpa e vergonha; pela palavra de Meu poder, eles haverão de se elevar acima de tais fraquezas, pois Eu as conheço todas e sei no que elas lhes tornam fortes.”

“Se puseres inimizade entre nós, eu confundirei os escribas e danificarei os registros de Tuas revelações de modo que Teus filhos não poderão discernir a verdade.

Fazendo-me passar por Ti ou por teus anjos, confundirei aqueles que te buscam a fim de que haja disputas entre eles, cada um achando que conhece Tua verdade quando de fato sabem somente o que me for conveniente lhes revelar.

Neste cenário, será fácil convencer a outros tantos de que Tu de fato não existes e de que sua própria existência é somente obra do acaso.

Deste modo levantarei cleros e doutores que oprimirão a todos os que lhes derem ouvidos. Sua culpa e vergonha será tanta que de bom grado aceitarão toda a miséria que eu lhes ofertar.

A uns poucos ensinarei a tirarem proveito das riquezas da Terra, e levantarei exércitos e tiranos e grandes corporações que destruirão o solo, a água e o ar, sitiarão a terra e escravizarão a muitos.

E esta bela engrenagem que criaste para sustentar a vida se tornará uma máquina de morte.

E assim reinarei soberano. E mesmo os que acharem que pregam contra mim haverão de trabalhar a meu favor.”

O Altíssimo ergueu Seu braço e ordenou a Lúcifer que se retirasse de Sua presença. Lúcifer sacudiu seu manto negro e seguiu pela ponte até os grandes edifícios na outra margem do Rio.

“Jeová, coloca querubins armados com espadas flamejantes ao redor da Árvore da Vida a fim de que Adão não erga sua mão e coma daquele fruto e, tornando-se novamente imortal, viva eternamente em pecado.”

“Assim farei, Eloim.”

Yahweh fez com que os querubins descessem da nave maior que se escondia entre as nuvens e se pusessem de guarda ao redor do Jardim, e no caminho que dava para a Árvore da Vida conforme seu Pai havia lhe ordenado.

“Está feito, Eloim.”

Ahman estendeu Sua mão e chamou a menina para junto de Si.

“Vinde a Mim, Eva.”

A menina foi-se aproximando devagar. Com os ombros encurvados e os olhos cheios de lágrimas, ela soluçava num misto de vergonha, medo e tristeza.

Eloim colocou levemente a mão sobre seu ombro e, abaixando-se, disse-lhe, olhando-lhe nos olhos, “Não chores, minha pequena. Por teres ignorado a luz e conhecimento que te dei e por te deixares seduzir pela astúcia de Satanás, comeste do fruto proibido e o ofertaste a Adão. Agora o sangue corre em tuas veias e logo produzirás semente, que, não sendo fecundada, gerará grande dor e desconforto até que em sangue seja expelida de ti.

Quando estiveres pronta, minha pequena, que seja o teu desejo para o teu marido a fim de que cumprais o primeiro mandamento que vos dei, de unindo-se em uma só carne, multiplicarem-se e encherem a Terra.

No cumprimento deste mandamento, encontrareis ainda maior desconforto, pois em inchaços e dores carregareis o fruto de teu ventre até que em multiplicada dor e agonia ele seja trazido à luz deste mundo. Mas nada te dará maior alegria que ver em teus braços o rebento tão esperado.

E que o homem possa sempre te proteger e confortar em teus momentos de dores, e te orientar em retidão em tudo o que dele buscares.”

Ainda chorando, Eva abraçou seu Pai.

“Levanta a cabeça, Minha filha, e lembra sempre quem tu és. Fizeste o que era necessário e não deves te envergonhar perante Mim. Eu sou teu Pai e te amo. E farei tudo ao Meu alcance para que, enfrentando as demandas da Justiça, possamos interceder por ti e por teus filhos a fim de que passado o tempo das dores, possais encontrar-Me novamente, sabendo quem de fato sois e o que verdadeiramente vos fará felizes.”

Ele enxugou as lágrimas da mocinha e sorriu ternamente para ela.

Levantando-se, pôs Sua mão com firmeza no ombro de Adão e disse, “Meu filho, por teres ouvido a voz de tua companheira e comido do fruto proibido, sangue corre agora em tuas veias, fazendo de ti um homem natural. E porque foste um deus ao Meu lado quando ocupavas um lugar na Trindade, e por teres caído de tua posição, tua queda afetou toda a Terra, que aos poucos, torna-se tão natural e suscetível às intempéries de tal natureza quanto tu.

Assim como tu transgrediste a lei que de Mim recebeste, muitas de minhas criações já não seguem as instruções que lhes foram dadas por ocasião de sua criação, deixando-se manipular pela astúcia de Satanás.

Da terra, brotam cardos e espinhos e ervas daninhas de toda espécie para afligir e atormentar o homem. As pragas devoram os campos e espalham doenças. Bestas selvagens e arredias fazem das mais fracas suas presas e, sentindo-se ameaçadas, não hesitarão em vos ferir.

De modo que pranto e ranger de dentes vos esperam além dos limites do Jardim.

Do suor do vosso rosto, colhereis vosso sustento todos os dias de vossa vida até que retorneis ao pó de onde viestes.”

O Criador arregaçou as mangas de Seu manto e ensinou Adão e Eva a ararem a terra e ordenou-lhes que fizessem grandes silos com sementes e grãos de toda espécie, e reunissem aves de pasto, gado e ovelhas, e tudo que lhes fosse necessário para o seu sustento até que viessem as chuvas e com elas as primeiras colheitas.

Alguns ciclos se passaram até que o homem e a mulher ajuntassem todas as provisões e se preparassem para partir.

“Jeová, já que Adão e Eva se incomodam com sua nudez e insistem em se vestir com esses incômodos aventais de folhas de figueira que Lúcifer lhes ensinou a fazer, tece-lhes mantos de couro para que lhes sirvam de proteção.”

Yahweh fez conforme seu Pai lhe ordenara.

“Vinde Adão e Eva; e trazei, ao altar, dois cordeiros brancos e sem manchas convosco.”

Sobre o altar, Yahweh já havia colocado alguns galhos secos bem amarrados.

Com um cutelo, feriu o primeiro cordeiro na garganta. O sangue espirrou sobre o altar. Eva virou o rosto quando o pobre animal gritou em desespero, e tremeu e estremeceu diante deles vendo a vida esvair-se a cada gota carmesim.

Entregou o cutelo ensanguentado nas mãos de Adão e disse que fizesse o mesmo com o segundo cordeiro. Adão fez conforme seu Senhor lhe ordenara.

Yehwah tomou de volta o cutelo e arrancou a pele dos cordeiros, estendendo-as no chão para secarem ao sol.

Colocando suas carcaças sobre os gravetos, pôs fogo sobre o altar.

Afiando um osso fino numa pedra porosa, fez uma agulha. E usando tiras do coro seco, costurou dois mantos.

Tendo concluído, Ele removeu os aventais de folhas secas que cobriam o homem e a mulher, e os banhou e ungiu nas águas do Eufrates. E disse-lhes para fazerem o mesmo a cada filho que lhes nascesse.

“Adão e Eva, vosso corpo é belo e não há nada nele do que deveis vos envergonhar. Fostes criados nus, e nus vos apresentastes diante de vosso Senhor, e Ele nunca se escandalizou com vossa nudez.

Por terdes comido do fruto proibido, vosso corpo está mudando, de modo que a menina se faz mulher e o ancião de dias finalmente ganha feições de homem feito. Novamente, em nada disso vos deveis envergonhar.

Antes, contemplai vosso próprio corpo e o de vosso companheiro para que vosso desejo seja pleno e, juntos, vos torneis uma só carne.

No entanto, a despeito da beleza e magnitude de vossa nudez, oferto-vos estas vestes sacerdotais, lavadas no sangue do cordeiro, para que as vistais no decurso de vossos dias a fim de que vos sirvam de escudo e proteção contra as intempéries do mundo escuro e triste que o destruidor de vossas almas preparou para vós.”

Ajoelhando-os um de frente para o outro diante do altar, Yahweh fez com que dessem as mãos e se olhassem nos olhos, ajuramentando-se perante Deuses, arcanjos e querubins a observarem e guardarem todas as leis, ritos e cerimônias que o Senhor seu Deus lhes viesse a revelar, de modo que, juntos haveriam de encontrar forças para suportar todos os dardos do adversário, e assim edificar uma casa de ordem e regozijo.

“Sede frutíferos e multiplicai-vos e enchei a Terra para que tenhais alegria”

E desse modo, Yahweh uniu o homem e a mulher num laço temporal e eterno de modo que nem as cadeias da morte os poderia separar.

Levantando-se, ambos foram conduzidos para fora do Jardim, onde aprenderiam por sua própria experiência a discernir o bem do mal.

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