10 de junho de 2016

Capítulo 9: Como em Outros Mundos

10 junho Escrito por Eliude Santos , , Comente aqui
Quando os arcanjos construtores adentraram o Salão, nosso Pai conversava com Seus Pais, Chronos e Réia, que haviam chegado há pouco para supervisionarem o progresso da construção do novo Sistema.

Chronos tinha sido o arquiteto da Esfera onde Ahman habitara em Sua mortalidade. Embora Ahman e Asherah houvessem alcançado a exaltação, que é o estado máximo de progresso espiritual que um ser eterno pode almejar, tornando-se criadores de mundos como Seus Pais, ainda Lhes prestavam contas de tudo o que faziam, e o fariam pelas eternidades.

Ahman e Asherah, que entre Seus muitos nomes também eram conhecidos como Eloim e Astarot, foram inteligências compradas das Trevas Exteriores para serem consumidas por Chronos, tornando-se assim sementes que, plantadas no ventre carnal e eterno de Réia, nasceram como entidades etéreas.

Tendo-se provado nobres e por terem adquirido um grande conhecimento e compreensão dos Planos Eternos, foram escolhidos como arcanjos governantes das outras inteligências daquela ninhada.

De Mestres experientes, aprenderam o ofício da construção e do matriarcado: a arte de ordenar e conduzir os elementos usando a régua da retidão, o compasso da justiça e o prumo da verdade como ferramentas divinas.

E pelo poder da palavra de Suas bocas, Eloim e Astarot criaram seus próprios mundos fazendo com que os universos de Chronos e Réia também se expandissem pelas imensidões.

De fato, faziam o que tinham visto Seus Pais fazerem.

Entre os muitos astros que foram criados por Chronos e Réia, uma Terra como a nossa foi planejada e levada a efeito para ser o lar que abrigaria Eloim e Astarot em Seu segundo estado.

Ao despirem-se de Sua glória de arcanjos, e vestirem-se de carne e sangue, viram-se à mercê de Suas próprias escolhas e, por Seus erros, pereceram e voltaram ao pó, para depois serem resgatados das cinzas pela graça da redenção do Mediador de Sua ninhada a fim de que pudessem se tornar o Homem e a Mulher perfeitos de quem somos todos filhos e filhas.

Agora, a história se repetia, e os filhos de Eloim e Astarot vinham à Sua presença para relatar o fim dos arranjos geológicos e astrofísicos que permitiriam o início da vida na nova Esfera, que já respirava e dançava em torno de si mesma, tendo sido alinhada na engrenagem magnética daquele Sistema recém-formado a partir das cinzas de uma estrela morta.

Ahman sabia de antemão cada palavra que seria proferida por Seus filhos antes mesmo de descerem da nave que lhes conduzira de volta ao Lar, pois Ele mesmo já havia feito igual relato a Seu Pai quando fora um dos arcanjos construtores da Terra onde habitara em Sua mortalidade. No entanto, agradava-Lhe aquela burocracia rotineira.

Era como se aquele ritual Lhe fizesse reviver cada instante de Suas mais sagradas memórias. Lembranças que Ele revisitava a cada nova ninhada e que reacendiam a chama de Sua humanidade; lembranças que visitara quando os antigos arcanjos relataram suas obras de construção para abrigar as ninhadas onde eles haviam sido gerados — arcanjos que já haviam descido à mortalidade e, pela interseção de seu Mediador, haviam sido exaltados à condição de deuses e agora planejavam os trabalhos de elaboração de seus próprios universos, dentro do multiverso que nosso Pai tratava de expandir, onde Ele e Astarot reinavam soberanos.

Nisto consiste a eternidade: atrelar inteligência à elementos físicos de modo que não queiram mais se apartar.

E essa união gera matéria física e eterna, que é luz permanente e resplandece em meio às trevas, de modo que o acréscimo dos domínios de um deus menor expande o universo daquele Deus que lhe deu vida.

E quando anjos caem e Deuses morrem, Seus universos entram em desordem e estrelas minguam, sendo sugadas para as trevas, donde a matéria de novos mundos é comprada e trazida de volta à luz, num pulsar eterno de continuação de vidas através das imensidões sem fim.

Assim, os elementos que Ahman havia arrebanhado em Sua barganha com a Velha Serpente eram agora, pela mão de Jeová e Miguel, matéria física atrelada aos domínios do Criador. E tal acréscimo à glória de Ahman aumentava também os domínios de Chronos, Seu Pai, que observava tudo de perto ao lado de Sua Esposa.

Ahman fazia o mesmo com os deuses de ninhadas mais antigas, que agora já criavam seus próprios mundos; e haverá de fazer o mesmo conosco se nosso progresso eterno nos levar à condição de deuses como Ele.

De modo que, no universo, sempre haverá astros menores cujas revoluções são observadas e controladas de perto por estrelas de maior brilho.

E por também ocupar-se da arquitetura dos novos sistemas e, como Seu Pai, acompanhar de perto a obra de Seu filhos, Ahman delegava o serviço da construção de novos mundos àqueles arcanjos cujas habilidades assemelhavam-se às de um deus físico, ainda que não tivessem carne e ossos cobrindo-lhe o espectro etéreo.

E, dando posições de liderança a esses filhos, Ahman tornava-os coparticipantes da deidade. Jeová e Miguel, eram portanto deuses, antes mesmo de habitarem na carne.

Apresentando-se diante dos Patriarcas e Matriarcas Criadores, Jeová disse, “Eloheim, descemos ao novo Sistema conforme nos pediste e pusemos ordem nos elementos que estavam em desordem, separando assim aqueles que aceitaram Tua luz dos que, fazendo-lhes oposição, sustentam a sua órbita.

E posicionamos a nova Esfera dentro do sistema de astros que garantirá suas revoluções. E ela já recebe a luz da estrela maior durante o dia e do astro menor durante a noite.

O pó da construção já se assentou sobre a superfície que foi lavada pelas grandes águas; e, da Terra, já se pode ver a Expansão com clareza.

As águas deslocam-se conforme o movimento dos astros, e a Terra pulsa sua seiva de vida através de um complexo sistema de veias externas e internas que alimentam os grandes mares.

E o vapor que sobe da ebulição dos elementos em constante transmutação expandem-se numa redoma de gases que garante a qualidade do ar da nova Esfera, filtrando a luz dos astros que a iluminam.”

Ahman sentia o calor do mormaço e o cheiro da terra molhada nas palavras de Jeová.

“Meu filho, fico feliz com o trabalho que tua comitiva tem realizado na nova Esfera. Agora vá e ajunta um novo grupo de arcanjos; desta vez, jardineiros e biólogos experientes. Toma também todas as sementes que foram trazidas de outros mundos de mesma ordem para que sejam plantadas e semeadas na parte mais fértil da nova Esfera.

E, dando frutos, que as sementes desses frutos que haverão de se alimentar dos elementos da terra úmida que ora fizeste surgir de sob as águas sejam levadas para os recantos mais longínquos daquela Esfera para embelezá-la e prover sustento para os filhos desta ninhada que ali haverão de habitar.”

“Sim, Eloheim. Farei conforme me instruíste e semearei as sementes dos antigos mundos na nova Esfera para que elas se rompam em grama e flores, arbustos e árvores e toda sorte de vegetação, cada uma levando semente em si mesma, segundo sua própria espécie, conforme foi feito nos mundos criados pelos antigos arcanjos donde tais sementes foram trazidas.

E, finda nossa quarta intervenção na nova Esfera, voltaremos para Vos relatar nossos feitos.”

A esse ponto, Réia adiantou-se, “E quanto a Perdição e o terço de anjos e arcanjos que ele arrastou consigo, que novas nos trazes deles?”

“Como não há a ordem celestial em Seu meio para manter a todos com níveis semelhantes de crescimento”, Jeová respondeu, “algumas das inteligências dos filhos de Perdição, ou em outras palavras, as personalidades originais das estrelas de luz que conosco habitaram e por intervenção de Heylel, rebelaram-se contra o Criador, são agora meras sombras da luz que um dia foram capazes de emanar.

Ciente de que, sem nossa ajuda, eles continuariam habitando o mar de fogo e enxofre que compunha aquela teia inorganizada de onde tiramos os elementos para a Criação, Heylel tem intervido a nosso favor para minimizar os boicotes daqueles que entre eles já perderam o senso de civilidade.

Como já prevíamos tais percalços, conseguimos driblar todas as investidas das entidades mais involuídas, ou aproveitamos suas investidas para acelerarmos as nossas obras de algum modo.”

“E todos subiram à superfície?” Perguntou Asherah, curiosa e preocupada com aqueles que outrora haviam sido Seus filhos.

“Nem todos suportaram a luz da nova Esfera. Alguns permaneceram nas profundezas do mar de fogo e enxofre e muitas de suas querelas e tentativas de estragar a obra de nossas mãos fazem com que porções de lava se desloquem e explodam nas mais variadas sortes de minérios que se espalham pela crosta do novo Mundo.

Outros se escondem nas profundezas das Grandes Águas e suas querelas e tentativas de estragar a obra de nossas mãos fazem com que as grandes porções de Terra tremam e estremeçam de tempos em tempos, deslocando-se e causando grandes maremotos e tufões que ajudarão a espalhar as sementes de vida aos lugares mais inóspitos do novo Mundo, onde nossa expedição talvez não chegue a visitar.

Somente os que conservaram a chama dos ensinamentos que aqui receberam é que suportam a luz da superfície. Ainda que tenham de todo distorcido tal conhecimento.”

“E que dizem eles de Nós?” Perguntou Chronos, já sabendo a resposta que receberia de Yahweh.

“Eles reconhecem Vossa grandeza mas não a Vossa justiça. Reclamam para si as demandas de tal justiça e sabem que cumpridas todas as dispensações do tempo naquela nova Esfera, este será seu papel, e o papel daqueles que eles arrebanharem para seu regaço.

Heylel é seu deus, um deus sem carne e ossos, uma energia em ebulição, um deus infértil e ardiloso. Em sua revolta, tem servido bem naquilo que planejamos que nos servisse.”

Suspirando, Eloim, deixou escapar, “E a glória que tanto buscava, ele finalmente alcançou! Seu cetro e seu séquito, no entanto, são finitos e, portanto, seus domínios podem ser mensurados. E tudo o que se pode contar, tem fim.

Mas o teu cetro e o teu séquito, Jeová, serão infinitos e eternos.”

Ouvindo isso, Jeová fez reverência e deixou o Salão do Trono, onde as divindades continuaram a conversa que fora, pela chegada daquela comitiva, brevemente interrompida.


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