5 de abril de 2015

Capítulo 10: Um Anjo Veio em Meu Socorro!


A casa do meu padrinho era uma casa grande e confortável. Havia um jardim muito bem cuidado na frente e um enorme pomar nos fundos. Ele era maçom e tinha em seu quarto um armário de parede enorme com uma entrada secreta para um banheiro e uma câmara onde guardava a armadura, o balandrau e o avental que usava nos rituais da ordem, e livros da maçonaria que eu havia por acaso encontrado.

Na época, a literatura maçônica era de uso exclusivo dos adeptos. Mas olhos curiosos sempre encontram um meio de ganhar conhecimento.

À noite, todos se reuniam na sala ao redor da TV para assistir o Jornal Nacional e a novela. Mas quando começava o filme, todas as crianças tinham que ir para a cama, pois o programa não era indicado para a nossa idade. Eu sempre ficava curioso para saber o que eles ficavam assistindo e por que nós não podíamos assistir com eles. No dia que passou O Exorcista, eu fiquei na sala. Não conseguia desgrudar o olho da tela.

Outro momento gostoso era a hora do lanche da tarde. Minha madrinha sempre fazia doces deliciosos, biscoitos de polvilho, bolos, cocadas, compotas de goiabas colhidas de seu pomar, onde eu e meus primos passávamos a tarde subindo em árvores, ou brincando na terra.

Entre o quintal e o pomar, havia uma jaula que prendia dois cachorros ferozes. Todas as noites, eles eram soltos no pomar e voltavam para a jaula na manhã seguinte.

Numa manhã, entrei como de costume no pomar e estava indo em direção à goiabeira, quando vi os dois pastores gigantes correndo, rosnando e latindo em minha direção.

Fiquei gelado. Senti a batida frenética de meu coração tomando conta de todo o meu corpo, saltando pela boca seca, enquanto os via se aproximar como se viessem em câmera lenta, babando ao vento e rasgando o chão de terra com as patas velozes.

Hipnotizado pelos pelos dourados que se assemelhavam a campos de trigo amadurecido iluminados pelo sol, já não conseguia pensar, nem falar, nem me mover.

O primeiro deles pulou sobre mim e apoiou suas patas pesadas em meus ombros franzinos. Fechei os olhos, como se pudesse sumir. Senti seu focinho quase colado ao meu nariz, me lembrando que mesmo com olhos fechados eu ainda estava ali.

O segundo veio por trás e pulou sobre mim, apoiando-se nas minhas costas. Eu não tinha para onde correr, nem como correr, pois minhas pernas já não me obedeciam.

Nega, uma das filhas de meu padrinho, os treinava para atacarem qualquer intruso que invadisse o pomar. Eles eram cães de guarda e não hesitariam em proteger o seu território.

Eu esperava atônito por meu trágico e iminente fim, quando uma mão segurou meu braço com firmeza e puxou-me para fora do pomar.


Não lembro exatamente quem o fez nem como aquilo aconteceu. Acordei na cozinha assustado. Não havia sofrido um único arranhão. Certamente um anjo viera em meu socorro.

3 comentários:

  1. Te livramos do perigo para que vc quebrasse barreiras...de sí mesmo...
    vc tem nossão de...o que um anjo te diria se ele se apresentasse a vc?

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  2. Nossão????
    virge....

    leoglan@hotmail.com

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  3. Sim, tenho noção! Mas duvido que algum anjo vá aparecer pra mim agora, pelo menos não esse tipo de anjo... Mas muitos anjos (pessoas cheias de amor) já cruzaram meu caminho trazendo instrução, proteção, carinho e atenção. E sou muito feliz pelo efeito que cada um deles exerceu sobre mim.

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