13 de maio de 2018

Capítulo 41: Os Filhos da Terra

13 maio Escrito por Eliude Santos , , 6 comentários
Talvez fosse a constante e fresca lembrança da vida que tiveram naquela gloriosa Esfera de onde haviam caído que tornava a experiência em cativeiro daqueles pobres demônios ainda mais miserável. Talvez fosse a consciência perturbadora de todas as promessas e expectativas frustradas por escolhas infelizes que os haviam conduzido àquele ponto de onde já não havia retorno. Por vezes chegavam a invejar a ignorância inocente daqueles que haviam sido abençoados com a senilidade dos anos.

Sim, por causa do véu do esquecimento que não somente apaga toda a memória dos espíritos que deixam a presença do Altíssimo para viverem sua experiência mortal, mas que também aos poucos vai esvanecendo sua lembrança das experiências e fatos que vivenciam aqui na Terra, seja no corpo ou fora dele, os filhos dos homens adaptam-se com mais facilidade às mais hostis circunstâncias.

Pandora e Abu haviam há muito sido capturados e mantidos em cativeiro por um bando de símios que assim o fizeram instigados por uma legião de espíritos dissidentes que procurava malograr os desígnios do Criador.

Esses anjos, por não terem passado pelo véu do esquecimento, tinham uma lembrança infalível e um conhecimento perfeito de todas as coisas como haviam sido, como eram e como seriam. E, por isso, sabiam que, se tudo seguisse conforme os planos de Ahman, por terem-se rebelado contra Ele, sua recompensa seria um reino sem glória nas profundezas das Trevas Exteriores, um lugar sobre o qual nada sabiam ou lembravam, senão que dali suas essências há muito haviam sido trazidas para a luz do Cosmos pelo Criador. E para seres que tudo sabem, e cujo poder reside no próprio conhecimento, não há maior punição que ir aonde seu conhecimento não lhes alcança.

Sob o comando de Lúcifer, e com o intuito de frustrar os planos de Elohim, esses anjos haviam-se comunicado com as bestas-feras, convencendo-as a misturarem sua semente com a semente dos filhos dos homens a fim de reclamarem para si uma glória maior do que aquela que a vida silvestre lhes poderia proporcionar.

Muito antes, utilizando-se do veneno do fruto proibido, o próprio Lúcifer expandira a consciência da primeira mulher fazendo com que se rebelasse contra tudo o que tinha experimentado no Jardim, tornando-se senhora de sua própria carne.

Sob o efeito de ervas e infusões, Lilith tornou-se Medusa. E como Medusa explorou cada sensação que a carne lhe permitiu experimentar, compartilhando sua mente e seu corpo com aquela legião de espíritos que, por sua vez, compartilharam com ela de um conhecimento que estava muito à frente daquele que os homens de seu tempo haveriam de possuir. E grandes e assombrosas foram as obras que ela realizou enquanto esteve sob a influência daqueles anjos decaídos.

Foram esses mesmos anjos que guiaram seus pés até o assentamento dos símios, onde ela foi recebida como uma deusa, cuja visita há muito havia sido prometida àqueles primatas.

Mas, despertando do efeito das ervas e infusões, a mulher percebeu-se manipulada por deuses e por anjos, e cortou fora as suas madeixas, tingiu-se de negro e, com ervas e unguentos, mudou a constituição de seu próprio corpo, até que não sobrasse um vestígio sequer daquela que havia sido. E vagou para longe, deixando para trás tudo o que havia tido por certo até então. 

Misturando sua semente com a semente dos filhos dos homens, voltou à caverna dos símios como uma estrangeira.

É comum que animais se lembrem do cheiro daqueles que lhes prestam cuidados, mas o cheiro de Pandora havia mudado. 

Seu cheiro agora era o mesmo do homem que eles haviam há pouco capturado, o mesmo homem que maculara o ventre puro de Pandora com a sua semente. 

Ela já não era uma deusa entre os símios, era um vaso sujo que carregava um broto de vida igualmente sujo dentro de si.

Nascidos os seus rebentos, foram arrancados de seus braços e atirados nas águas como se fossem despojos.

Tão logo seu ventre transbordou em pureza carmesim novamente, foi visitada em seu leito pelos símios mais parrudos do bando.

Seu leito tornou-se seu cativeiro.

O mesmo sucedeu a seu amante, que era visitado pelas fêmeas férteis do bando a fim de que depositasse nelas a sua semente. Embora ele resistisse bravamente, e ficasse ainda mais perturbado quando a mulher ao seu lado era submetida às mesmas investidas, Pandora sempre tivera a impressão de que Abu não se sentia tão violado quanto ela.

Por resistirem, eram tratados com ainda maior violência. Suas carnes eram rasgadas pelas presas e garras afiadas, e seus ossos quebrados pelos socos truculentos dos que queriam impor sua vontade a qualquer custo.

No começo, Pandora e Abu ainda se falavam, planejavam fugas, compartilhavam lembranças do mundo lá fora. Mas o tempo foi-se encarregando de embotar sua memória, talvez para amortecer seu sofrimento.

A cegueira de Pandora tornava todos os seus outros sentidos ainda mais aguçados, assim como suas sensações. E, naquela escuridão, nem mesmo a luz da esperança conseguiu manter-se acesa por muito tempo. 

Os olhos de Abu acostumaram-se à penumbra da caverna, de modo que nada ali lhe escapava. Por vezes, observava as sombras que se projetavam na rocha ao fundo e contava histórias de gigantes e dragões, como aquelas que contava aos seus irmãos ao redor da fogueira.

Mas agora já não era ele o herói de suas histórias. As sombras nas paredes da caverna não contavam histórias de heróis. Elas eram tão cruéis quanto a sua imaginação lhes permitiam ser. Talvez para conformar-se de que, com todas as agruras que ali experimentavam, aquela masmorra era ainda mais segura do que lá fora.

E, aos poucos, foram esquecendo como havia sido lá fora.

Se, no começo, eram levados à força para o tronco ou lançados com violência nas valas da caverna, agora, seguiam como cordeiros obedientes aonde quer lhes mandassem.

Os filhos dos símios eram agora seus filhos.  Pandora e Abu já não eram mais estrangeiros entre eles. 

Na verdade, à medida que aquela nova raça foi enchendo a imensidão da gruta, tendo crescido ouvindo as histórias de seu pai Abu sobre as sombras da caverna, cresceu também a animosidade entre eles e os símios que os haviam trazido à vida.

E tamanha era a força e poder dessa nova raça, que levantaram-se contra os símios e fizeram com que fugissem de sua presença, de modo que os símios deixaram as cavernas e passaram a habitar as copas das árvores de bosques distantes, enquanto os nefilins tomaram a terra.

Quando os nefilins deitavam-se com Pandora, sua mãe, por maior que fosse sua força e violência, ela já não abria a boca, pois eles eram seus filhos e ela acostumara-se à sua rudeza.

Aquela mulher forte e destemida de outrora fora domada sem piedade. Despida de toda a sua humanidade, ela tornara-se tão selvagem quanto aqueles que a haviam domado.

Abu não tinha a mesma relação com os nefilins. De fato, não os chamava de seus filhos; chamava-os de filhos da terra, pois eram para ele uma abominação, um descuido feito possível por um erro da própria natureza. 

Ele era apenas o sultão das que haviam nascido de sua semente, e mestre dos que buscavam suas instruções. 

Aos poucos foi ganhando poder dentro do bando e privilégios na caverna. E já não desejava fugir, pois ali encontrara um séquito fiel, que o venerava, e alimentava os seus delírios de grandeza.

Aquele homem a quem Pandora outrora admirara por sua beleza e vigor, agora lhe causava asco. Não suportava ouvir seus desatinos, nem tampouco saber que a seus filhos encantavam aqueles contos fantásticos sobre criaturas que só existiam na imaginação fértil e perversa de Abu.

Pandora estava farta de trazer novos filhos às penumbras daquela caverna. Estava farta da vida em cativeiro. Estava farta de ser usada por deuses e por demônios, e por homens e por bestas. Estava farta da rudeza de seus filhos e da indiferença de Abu.

Em um momento de fúria e desespero, ela furtou a lança de um de seus filhos que viera deitar-se com ela, e com a obsidiana afiada, arrancou fora o falo ereto do nefilin que caiu por terra gritando de dor.

Seu grito assustou a todos. E houve grande alvoroço na caverna. Pandora atravessou-lhe o peito com a lança, deitando com cuidado a sua cabeça sobre a rocha.

Com lágrimas nos olhos, ela usou a mesma obsidiana ensanguentada para arrancar fora os seus próprios seios, lançando-os aos pés do filho mutilado.

Neste momento, todos já se haviam acercado do lugar de seu cativeiro. Ela, no entanto, concentrou-se na voz de Abu, e correu na direção daquele som que agora lhe parecia tão odioso, alcançando-o rapidamente. 

Com a mesma lança, feriu-lhe a garganta, e usou seu corpo como escudo contra as lanças que os nefilins já atiravam contra ela.

Pandora enfiou-se em uma fenda e usou a lança para defender-se dos filhos da terra que cercavam-na aos montes.

Abu agonizava aos seus pés. Ela queria comover-se, mas já não conseguia. 

O sangue de seus seios dilacerados descia por sobre o ventre. E era como se tivesse centenas de adagas perfurando-lhe continuamente o peito. A dor era tamanha, que já não podia concentrar-se em desviar das lanças que eram atiradas contra a fenda onde havia-se enfiado.

Uma das lanças acertou-lhe a cabeça, e ela sentiu um tranco que lançou-a para trás.

Caiu num rio raso de águas brancas e espantou-se por estar enxergando novamente.

Levantou-se apressadamente e olhou em derredor. Não havia ninguém ali. Nem nefilins, nem a caverna, nem Abu, caído aos seus pés, apenas uma névoa branca e uma ramagem rasteira, molhada pelas águas brancas do rio.

Ela olhou para suas mãos e viu que ainda segurava o falo enrijecido. Mas a ferida aberta em seu peito parecia já não doer.

Ela estava zonza e andava como se não sentisse os próprios pés tocarem a relva.

Alguns passos à frente, dois homens aproximaram-se dela.

“Quem és, estrangeira?”, disseram de longe.

Pandora olhou para o falo em sua mão e para a ferida em seu peito e disse, “Meu nome é Eshu”.


6 de maio de 2018

Capítulo 40: O Fosso

06 maio Escrito por Eliude Santos , , 4 comentários
Desde que Hapi fora expulso do arraial por ter seduzido as filhas e filhos de Adão, levando três deles consigo, Samael acompanhava cada passo do primogênito de sua amada com um cuidado quase que paterno.

O anjo caído estava por perto quando Hapi encontrou os templos erguidos por aquela que lhe dera à luz e decidiu ali levantar acampamento.

Cânticos e os tambores deram vida nova àquelas rochas há tanto abandonadas, e Samael alegrou-se ao ouvir a voz do filho de Pandora recitando os rituais gravados por ela no mármore frio. 

A pedido de seu esposo, Luluwa arrancou o mato que crescia no terreiro e sufocava as ervas de cheiro que a primeira mulher havia plantado ali com tanto cuidado. Samael observou as ervas daninhas murcharem aos pés da bela filha de Adão, enquanto ela colhia ramos das ervas de cheiro para preparar as oblações e o incenso que seriam usados nos rituais, conforme gravados nas paredes do velho templo.

Através dos lábios da grande imagem sobre o altar, Samael manifestou-se ao filho de Pandora que, tingido de azul, ajoelhou-se e abriu seu coração após tragar o fumo das ervas que sua esposa trouxera ao altar.

O filho das águas dançou em volta do fogo, banhou-se em água de cheiro e deitou-se com suas esposas sobre o altar ao som de tambores e chocalhos tocados por seu amado Inu, que num frenesi ritualístico, pulava e uivava ao redor dos amantes.

Samael assistiu o momento da concepção e ouviu o choro dos rebentos que nasceram na primeira primavera depois da fuga, e dos que vieram nas primaveras seguintes, até que destes nascessem outros filhos e filhas, enchendo de fiéis os átrios do velho templo.

Manifestando-se como um mensageiro de luz, Samael dava-lhes instruções de tempos em tempos e apossava-se de seus corpos a fim de satisfazer suas concupiscências.

Após o nascimento dos primeiros rebentos, Luluwa e Aklia perceberam que Hapi passara a preferir a companhia do mancebo à delas so bre o altar, e conspiraram em segredo contra a vida de Inu.

Como não há segredos para quem vê através das paredes, Samael fez saber a Hapi o que intentavam suas esposas e disse-lhe que lhes oferecesse uma infusão de ervas amargas para que seus olhos espirituais fossem abertos e enxergassem o fosso escuro para o qual a maldade de seus corações arrastaria a todos de sua casa.

Quando estavam tomadas pelo efeito das ervas, Samael mostrou-se à Luluwa e Aklia e disse-lhes que abrandassem o seu coração, pois o amor de seu esposo haveria de esfriar se chegassem a levar a efeito os seus torpes intentos.

Ambas despertaram aos prantos e correram aos pés do mancebo para confessarem sua fraqueza. Inu acalmou seus corações aflitos e foi ao campo buscar seu amado.

Samael estava por perto quando os quatro deitaram-se juntos sobre o altar; e, juntos, expurgaram com carícias e beijos o veneno que lhes corrompia a alma, de modo que a lei de sua casa já não era mais a lei da casa de seus pais.

Inu passou a cobrir seu corpo de azul, como fazia o filho das águas, de modo que haviam-se tornado um. E todos os seus filhos eram filhos de Hapi e todos os filhos de Hapi eram seus filhos. 

Luluwa e Aklia já não eram mais suas irmãs: cobertas com flores de lótus, elas eram, para eles, duas deusas da fertilidade, e grande tornou-se a sua prole.

E Samael acompanhou cada passo dos patriarcas e matriarcas daquela casa, e de seus filhos e dos filhos de seus filhos, instruindo-os sempre que procuravam o templo em busca de mais luz e conhecimento.

E assim foi até que um tremor abalou as estruturas da dimensão etérea na qual Samael existia e fez com que o arcanjo caísse por terra atordoado.

Ao levantar-se sem saber ao certo o que havia acontecido, olhou em derredor e percebeu-se envolto por uma grande névoa de escuridão que parecia cegar-lhe para tudo o que se passava entre os mortais. Ouvia suas vozes distantes, mas já não podia enxergar com clareza nada ao seu redor. O próprio entorno etéreo escurecera como num dia de tempestade.

Ele projetou-se na direção do estrondo e num piscar de olhos alcançou as margens do Kibaranun, onde seu mestre contemplava o horizonte cinzento.

“O que houve, Lúcifer?”, perguntou Samael.

“Os portões de Havilah foram fechados e todas as estrelas da manhã lançadas de volta à escuridão. Já não temos mais onde recostar a cabeça e a miséria há de ser nossa recompensa até o final dos tempos.”, disse o Filho da Manhã com grande cólera.

“O que dizes, meu senhor?”, assustou-se Samael.

“Abel, o pastor de ovelhas, infiltrou-se em nosso meio como um lobo vestido em pele de cordeiro, e arrebanhou os espíritos dos que haviam sido trazidos a esta esfera etérea após terem passado pelo véu do esquecimento a fim de aguardarem entre nós pelo seu nascimento na carne. Revelando-lhes a ínfima porção de verdade da qual é conhecedor, ele lhes convenceu de que seu poder excedia o nosso, e incitou-lhes a levantarem-se contra nós.

Juntos, eles se apossaram de nossas casas e de nossos bens, e expulsaram todas as estrelas da manhã da grande cidade de Havilah, cujos portões foram cerrados e selados a fim de que não mais pudéssemos voltar. E o fosso que circundava nossos domínios foi alargado e virou um grande abismo, e as pontes que nos conduziam da cidade das luzes ao mundo escuro e triste dos mortais caíram em suas profundezas.”,  lamentou Lúcifer.

“Mas a luz, mesmo lançada às trevas, sempre encontra uma fresta para resplandecer.”, disse Samael, na tentativa de animar seu mestre, “Assim como Abel se infiltrou em nosso meio e usou sua influência para dar poder àqueles que nos serviam, podemos também nos infiltrar em seu meio e usar nossa luz para tomar de volta o que é nosso.”

“Ele é apenas um peão no tabuleiro do Criador.”, disse Lúcifer. “O abismo entre o Paraíso que construímos e esta Prisão aonde eles nos colocaram há de perdurar sem passagens ou pontes até o Meridiano dos Tempos, quando o Filho do Homem descer a esta esfera para realizar a segunda barganha. Dessa vez, eu serei a Velha Serpente, e terei arrastado muitos dos que se ajuramentarem com o Filho do Cordeiro, a fim de que desçam às profundezas de nossa miséria e sofram conosco de todo o tormento que a indiferença do Criador nos causa. Eles se sentirão sozinhos e sem esperança, e tamanha será a sua angústia, que desejarão nunca ter existido.”

Samael sabia que seu mestre não descansaria enquanto não levasse a efeito os desígnios de seu coração, e ajuramentou-se com ele, oferecendo-lhe todo o seu poder, mente e força até o fim de seus dias.

E juntos fizeram reunir uma legião dos espíritos que haviam sido atirados àquela prisão escura e desoladora com o intuito de planejarem toda sorte de armadilhas e artimanhas que usariam para ludibriar os filhos dos homens a fim de que, chegado o momento de sua passagem do mundo dos mortais para e esfera etérea de onde haviam saído, tornassem-se prisioneiros de sua própria consciência, de modo que não conseguissem mais encontrar o caminho de volta àquela cidade das luzes, sufocados pela escuridão de seus próprios pensamentos, palavras e ações.

“Farei desta Prisão um inferno, um fosso de agonia e desespero, onde os espíritos de todos os que morrerem em corrupção serão torturados por seus próprios medos e culpas. Plantaremos dia a dia a semente da iniquidade no coração dos filhos dos homens e a nutriremos como nunca antes fizemos, e grande será o pesar daqueles em que esta semente encontrar um terreno fértil.”, disse Lúcifer em sua fúria.

“Como faremos isso, agora que esta névoa de escuridão desceu sobre nós?”, indagou Samael.

“Os fumos e os licores, os vinhos e o levedo da cevada, o manjares feitos com raízes fortes, o cheiro suave das oferendas em decomposição, os pequenos cristais das misturas alquímicas, o sumo de tudo o que afeta a mente do homem e acelera ou desacelera seu funcionamento natural abrirá espaço para que plantemos nela a nossa semente, ou nos comuniquemos mais diretamente com eles, tal qual fizemos com Pandora e, mais recentemente, com os filhos das águas, e os filhos da terra.”, explicou Lúcifer.

“E o que lhes diremos?”, perguntou Samael.

“Aos medrosos, alimentaremos seu medo; aos questionadores, responderemos suas perguntas; aos enfermos, seremos sua cura; aos sadios, sua doença; aos covardes, sua fuga; aos corajosos, seu desafio; aos crentes, reforçaremos aquilo em que acreditam; e aos descrentes, daremos provas que reafirmem seu desapego sem que sequer deem-se conta de nossa influência; e a todos eles distrairemos com ocupações que desviem seus passos daqueles que foram traçados para eles pelo Criador quando para cá os enviou.”, disse Lúcifer. “E chegado o dia em que seu corpo astral se desprenda do corpo físico, seguirão cheios de culpa pelo tempo que perderam em vida e se tornarão presas fáceis que capturaremos e arrastaremos para esta prisão aonde fomos todos lançados. E este fosso será um lugar de pranto e ranger de dentes. E seus gritos de desespero e de dor serão música para os nossos ouvidos, porque serão a celebração de nossa vitória.”

“Como eles engrossarão nossas fileiras, se seremos os seus algozes? Na primeira oportunidade, não te parece que eles escolheriam fugir desta prisão?”, perguntou Samael.

“Algozes? Nós não lhes faremos mal algum. Eles mesmos chicotearão uns aos outros com a falsa ideia de poder e domínio que será sua maior distração. Os que recebem o chicote não saberão que o receberam de nossas mãos; a eles lhes parecerá que o receberam por mérito próprio. E os que forem chicoteados não nos culparão pelas chibatadas. Culparão a si mesmos ou ao Deus que lhes deu tão miserável vida. E tamanha será sua culpa, que sequer perceberão que bastava levantarem-se em grande número para destronarem aqueles poucos que possuem suficiente poder para lhes afligir. E ainda que alguns se levantem, ao derrotarem seus algozes, segurarão o chicote em suas mãos e se tornarão opressores ainda mais ferozes daqueles que lhes ergueram a tão cobiçada posição.”

“Mas se nos mantivermos ocultos, como faremos com que tomem o nosso lado quando a grande batalha final for travada?”

“Não nos materemos ocultos, Samael. Quando estiverem no ápice de seu sofrimento, nós iremos ao seu encontro, como seres de luz, e lhes mostraremos toda a abrangência de sua miséria e lhes ofereceremos a mão, e eles nos estenderão a sua. E suplicarão para que os tiremos daquele fosso escuro para o qual foram lançados.

Naqueles dias, já teremos recuperado a cidade das luzes, pois o Cordeiro terá descido entre os seus e reerguido as pontes sobre o fosso que separa esta Prisão do Paraíso que aqui erguemos. E aos oprimidos anunciaremos as grandes novas de que a salvação está ao seu alcance e que somos os Deuses que eles tanto buscaram. E, por não saberem o que é um Deus, nem conhecerem a natureza de um Paraíso, sentir-se-ão seguros ao nosso lado.

E quando os filhos de Miguel vierem com seu evangelho, falando de deuses de carne e ossos, e de céus em astros distantes, e dizendo que todos que os seguirem podem ser deuses naqueles céus que foram preparados para eles por um Pai que nunca viram, eles apontarão para mim e dirão: ‘Blasfêmia! Este é nosso Pai e este é nosso Céu, não há nenhum outro. Quando estávamos no fosso de nossa miséria, Ele nos resgatou e nos mostrou a verdade, que é clara como a neve. E a Ele prestaremos reverência para sempre.’ E, se os filhos de Miguel quiserem levantar-se com espadas para salvarem seus irmãos de nossos domínios, eles voluntariamente pegarão em espadas para nos defender. E assim, arrebanharemos um outro terço dos filhos do Altíssimo. E com poder e grande glória, nos assentaremos triunfantes em seu trono.”


28 de abril de 2018

Chapter 3: Weeping and Gnashing of Teeth

28 abril Escrito por Eliude Santos , , , 2 comentários
BEFORE READING, PLEASE CHECK THE BOOK INDEX FOR PREVIOUS UNREAD CHAPTERS.

Broken-hearted, Ahman descended from His throne. Asherah threw herself into His arms with tears rolling down Her face. The other teary Wives entered the room hugging each other to alleviate Their sorrow, which seemed to suck up all the light from that wide, spacious hall.

At that moment, They shared a pain so deep that we, Their spiritual children, would only begin to understand after descending into our second State in order to experience the immense complexity of mortal sensations that our future physical, tangible bodies would allow us to feel. Only then would we be able to share that dark spectrum of humanity that seemed to emanate from those divine Beings in that moment of mourning.

Even though our spiritual minds were unable to fully grasp the depth of that death, the sensation was there, stealing our peace. And the best analogy I can now make to describe such an experience would be the image of a little child who hugs their parents when they weep at the departure of a loved one. The little child does not understand the reason for the grief that consumes their parents, but they can not avoid sharing the sensation. And a hug seems to be the only thing that would bring them comfort.

Just like little children who are not aware of the gravity of such solemn moments to realize whether they seek to comfort or be comforted by that hug which is a balm of relief for their parents, we felt the pain of Their loss and wept with Them, and we embraced each other, for great was the sorrow in Heaven.

Surely Ahman knew that such thing would happen sooner or later. However, knowing all things does not lessen the pain of feeling each of them. Besides, making the decision to expel one-third of His brightest children from His presence, and to stop counting them as children, giving them up to their own fate, all that made room for a sense of powerlessness to which an all-powerful Being is not accustomed to.

Asherah ran towards Heylel, who was still kneeling down on the floor, astonished after the verdict of his death sentence. Any separation is painful; however spiritual death, or banishment, unlike any other separations and deaths, is irrevocable.

She wanted to hug him, but Yahweh and Mikhael hurried to stop her.

"Mother, what does he have to do with you? His time’s come."

"Let Me hold him. He is My son."

"You have heard the decree of Father," said Yahweh with the coldness of a god who had not yet been softened by the experience of the flesh. "Heylel can no longer be counted as one of us. Behold, Mikhael, Thine child still. Draw closer to him. After the fall of the Morning Star, it is he who now rightfully occupies the place left open by the angel fallen at our feet."

Mikhael approached Asherah and hugged her tightly, preventing her from reaching the damned one.

Heylel gritted his teeth and, looking back, saw all the great multitude of spirits who, like him, were to be banished from the presence of the Almighty, many of whom had served the Most High with all their heart, strength and will. Angered, he rose suddenly.

"What kind of trial is this, Father? I present a plan that can save all of my brethren and death is my reward?"

Ahman looked at Heylel with tears in His eyes and a void that ripped His chest apart.

"Do not call Me by that title anymore. You do not know the pain that those words cause on Me, Lucifer. I love you so much. I do not want you to think that your trial was conducted on this occasion alone. A verdict is not just a sentence. And a sentence is not fair without evaluating the details that led to the crime. And this crime has ripened in your hearts since I brought you all out of the abyss. In every thought, in every word, in every act there is a judgment that is extended throughout all existence until the verdict is revealed. And as much as it hurts, I can not help but pronounce the sentence."

"What crime have we committed then? The crime of wanting to save You from a debt You do not have to pay? Why can’t the demands of Justice show up now to revoke Your throne in the face of this great injustice You have committed? Ain’t that what was supposed to happen if You ever came to do something that would cause us any harm or lead us to destruction? What I see is that You felt threatened when I asked You to give me part of Your glory. You are so obsessed with power that You can not allow any of Your children to surpass You in stature or even accumulate preeminent honor and glory, becoming somehow greater than You could ever be throughout eternities."

Recovering serenity, our Father replied, "I did what had to be done. I did what you wanted Me to do. I respected your will."

Disgusted, Lucifer cried out in a rush of anger, which was converted into tears and sorrow.

"Father, I never wanted to be expelled from Your presence. I do not know how to live far from You. Mother, why would you allow Him to do such madness?"

Beside Mikhael, Asherah replied, "Lucifer, you doubted the judgment of Amon, who is an omniscient Being, you doubted the truths that you learned in this sacred place, you doubted Our love for you. How could I intercede now?"

Ahman held out his arm at the right angle and blustered, "Enough, Ash! Lucifer, you wanted a part of My glory and I gave you a third of it. My glory is measured by the number of intelligences who willfully believe and follow Me. Your glory now is this entourage of fallen stars who dared to think that they knew better than their Father, spirits who once were the brightest in My kingdom. And because they doubted Me, they can not go to their second State in the flesh, a place of physical glory that I will prepare for My children; those fallen stars will never be able to experience the complexity of sensations the physical body would grant them in mortality, a body that would give them a full understanding of all things when their corruption were restored to incorruption, a wisdom that only the flesh would be able to allow them to have."

Commiserated with the unwary dissidents, He continued, "But you shall not live so far from Me, for this is not your last death. You will go to the Earth which will be prepared for My children to assist and participate in the unfolding of human history. Those who followed Me will pass through the veil of oblivion, but you will remember everything, as Lucifer wanted it to be in his plan. And because you will remember everything, you will know how to communicate with the children of men and you will again have a chance to convince them that you were right. And many of them will hearken to your voice, adding to your glory. Ain’t that what you wanted? But remember that, in the end, truth will triumph as it has triumphed in other worlds. And those who have hearkened to the voice of Him who has tasted all things, the One with a living knowledge of whatever He speaks of, yes, those who hearken to My voice will triumph along with truth itself. Now go. Jehovah and Michael will lead you to the new world."



THIS WAS CHAPTER 3 OF THE NOVEL "IN THE BEGINNING WAS THE WORD", BY ELIUDE A SANTOS.
CHAPTER 4 IS STILL BEING TRANSLATED. 
TO ACCESS THE INDEX OF THIS BOOK, PLEASE CLICK HERE.

25 de fevereiro de 2018

Chapter 2: The Scapegoat of Atonement

25 fevereiro Escrito por Eliude Santos , , , Comente aqui
BEFORE READING THIS CHAPTER, PLEASE READ CHAPTER 1

Like beams of resplendent light, so were the firstborn twins of Asherah, the eldest Wife of Ahman the Creator: "I Am" — who was also known as Yahweh, or Jehovah, among the many names by which he was called — and "Morning Star" — who was also called Heylel, or Lucifer, among the many names by which he was known — were the first intelligences who came out of Darkness and Chaos to that Sphere of Light and Order, and stood out among all the other intelligences who came afterwards, thus guaranteeing their birthright when Ahman the Creator stood in our midst and appointed them as rulers of the new Cluster.

The other intelligences, small seeds of energy that had lived in disarray in that dark well that sucked the light of Creation into itself, among whom were my essence and yours, and the essence of those who came before or who will come after us; yea, all the intelligences that left the Old Serpent's domain were, one by one, consumed by the Creator in order to be transmuted and planted in the womb of His Wives to germinate and be nourished and brought into the light of that Sphere.

From the moment of our spiritual birth, when we left the darkness of Chaos and entered the light of the Cosmos, everything we had learned from the Masters that accompanied the development of our personalities led us to that sacred occasion.

And I, Udiel, as if it were today, remember the day we ceased to be just passive apprentices, and became aware of our function within this great gear engineered by our most beloved Heavenly Father.

You may not remember, but you were there, too. If you try hard, you may feel that chill finding its way into your navel and running through the spine till it warps your ears and spreads over your back, draining off from your shoulders as if they were flaming wings; yea, those chills we feel whenever we experience a small spasm of Truth.

When we are born into a family like ours, we cannot expect that our Father will constantly be by our side. He has to work, like any other parent. Our Mothers also have Their occupations and we are at the mercy of our Masters most of the time.

And those Masters were so attentive that we hardly noticed the passing of eternities. Nonetheless, whenever our Father came to visit us, it was always a memorable event.

It’s a pity that the memory of those glorious days has been banished from the consciousness of men as they descended to this Earth to experience the bitter cup of death. Though I rejoice to know that this forgetfulness is momentary and soon we will all have our consciousness expanded and restored and each one will have their own impression of everything they experienced in the different States of their existence.

On that day, you will remember the moment it happened as if it were today.

As I said, our Father was a working man. Celestial Parents are Architects and Managers of the universes in which Their children dwell. Of course, like every architect’s, even Our Father’s most original creations were based on already existing principles and calculations, created by Architects older than Him. Architects who, like Him, continued Their work in other universes beyond the boundaries of ours.

But that never diminished His merit. We admired Him so much that all we wanted was for that time at His side never to pass. However, one does not grow to their parents’ stature if one does not walk on their own, and stumbles and falls so that they may learn to stand by themselves. And our Father knew that.

He had gone away for a while to take care of other clusters like ours and when He returned we had a great feast to receive Him.

When He was in our midst, He saw that many had progressed more than others during His absence. He called each one by name — each of the children who had developed the knowledge-related skills that our Masters had shared with us — and said to all,

"These I will make My rulers."

The "princes", or in other words, the first sons of His first Wife, were called to occupy the highest positions of leadership, one at His right side and the other at His left side in the Presidential Council, which we called Trinity.

Our Father wore a ceremonial cloak made of shiny calfskin. On His head, a bull-shaped helmet with long horns. He took robes of gleaming lambskin and set them upon the shoulders of His firstborn. And He overlaid their heads with goat-shaped helmets fashioned with equally long horns.

"When a king is crowned with horns, it is to remind him that his power comes from above, for the horns of his crown point upwards. My crown reminds Me that I have someone above Me whom I must honor and report to. Your crown reminds you that you ought to come to Me to pay the same reverence. For so it is in all the immensity of the endless universes. Where there is a star of great brightness, there will also be another of superior light. The brighter star will cause the less shiny ones to revolve around it for them to realize how much they need its light. And although there is an infinite range of greatness among you, these two crowned lambs are now the brightest stars in the midst of this cluster. To them you must seek in My absence."

Ahman crowned many other intelligences as kings and queens, princes and princesses, priests and priestesses, ministers and masters of every sort and office, according to the role that each one would exercise from then on to meet the needs of the great Plan of Happiness which He had architected for our second state. And He dressed these archangels with robes and cloaks, and He gave them instructions on what they should do.

"And whatever you do, you will do it in My name, and whatever you say, it will be as if your words came out of My own mouth. Therefore, beware of what fills your heart, for thought makes the word, and the word creates worlds. And it is not right that I should be blamed for the evil sayings and evil worlds henceforth created by you. However, since one cannot demand perfection from those who have not yet been raised to the deity stage, one must have someone to blame, a Scapegoat of Atonement, who would pay the price it was required of Me when I rescued your essences from the Abyss of Justice so that your intelligences could give birth to the spiritual bodies generated in the wombs of your heavenly Mothers."

We all knew what had already happened in previous worlds, with previous clusters. This was no news to us. One of the two who wore the lambskin cloak would need to make the sacrifice. This would be the price charged by the Old Serpent: the blood, the pain, and the death of the most perfect Son.

One of them would have to pay the price of the matter that was used to create us while the other would colonize the New World where we would live in.

Jehovah and Lucifer needed to decide what role they would occupy in the Creation of the New World. One would be the First Father, the one who would descend before all, and partake of the bitter fruit that would fill his veins with blood and allow him to give birth to us so we could experience the poison of mortal life; and the other would be the Scapegoat of Atonement, who would drink the cup of poison which the demands of Justice that inhabit the pit of darkness where we all came from would offer him, a poison that would make all his blood be shed, and by which power he would experience all the pains and hardships of existence without retreating so that all of us could be justified in our inability to be divine.

As the errands I, Udiel, received were not of a legislative order, my contact with the princes and other ruling archangels was restricted to the recording of their actions.

Heylel did not want to be the First Father, nor did he want to be the Scapegoat of Atonement. He did not want to do things the way they had always been done. After all, there had to be another way to pay off that debt, or get rid of that pledge. And he had finally found a way.

When Ahman, our Father, visited us again, Heylel had convened a general assembly to present his resolutions and ask his brethren for support.

"Father", he said "You know that among Your children I am the son who admires You the most. All I have done since the day I was aware of the reason for my existence was to follow Your footsteps and do the things that would make me wind up like You. I know Your mind, I know Your deeds, and I know that I am ready to advance to my second State."

Ahman, also known as Elohim, among the many names by which He has been called, went up to him, gripped his shoulders firmly and told him, rummaging through his soul, "Lucifer, you are the first light, the Morning Star, the first intelligence who came before Me when I stood on the brink of the abyss and faced the Old Serpent, you were the first consciousness to dwell in a spiritual body in My house, the first child of My first Spouse. Therefore, you and only you should follow ahead of everyone else and be the first to gain a physical body in the new Earth that we are about to create."

To which Heylel responded, "It would be a great honor to be the First Father of all men if this were the only option left for me, Elohim, but I leave this honor to Jehovah, who has always existed and is willing to get through with the plan that has already been performed in other worlds."

"Are you then offering yourself as My Only Begotten and Mediator in the flesh? Would you be willing to meet the demands of justice and suffer the pains of all men to be justified in their weaknesses?", asked the Creator, even knowing that it was not what fermented the heart of His child.

To which Heylel replied, "You know my heart, my Lord. You know I've been studying other possibilities. Your creditors require the blood of Your only begotten just because Your children are still unable to understand Your mind and, in their inability to be divine, they may commit errors that allow such creditors to revoke the matter that you purchased from them, thus preventing Your future increase of glory. But what would happen if someone who thinks as You think could make the decisions for Your children? So no one would make a mistake and there would be no debt to pay! And because I would be at the forefront of this endeavor, ensuring that everything would go according to plan, I suppose I could inherit that part of the glory from this Cluster that would exceed the amount of glory You usually receive at the end of each term. Don't you think this is fair?"

"Not everything that is fair promotes happiness, My son. After all, what happiness is there in coercion?"

"All of them will have all the time in the world to find out what makes them happy when that debt is taken away and we are able to lead our lives more peacefully, Father."

"Tell me, son, was this ever done before?"

"You know all things, Elohim. This has never been done before, which does not mean it can not be done now. After all, it's a totally reasonable plan."

"Has it never occurred to you that this has never been done before in any of the worlds I have created and in any of the worlds created by the other Gods of the Cosmos because freedom of choice is exactly what gives balance to the whole universe? The demands of Justice would feel cheated and would require our heads. I would cease to be God and your reign would last close to nothing."

"A God is Almighty by nature. We can do anything we dare to do if we calculate well. After all, you would have a whole army of children fighting in Your favor should the demands of Justice rise against You."

"My power lies in the respect I have gained from those over whom I rule. If I throw away their liberty, I will be seen by them as a tyrant. What endorsement can a dictator have that does not respect the individuality of those he governs?" 

"Give me Your part in this homestead and I will prove to you that all my children will respect me."

"Have they ceased to be My children already? Yahweh, what do you think of this?"

"Father, be Thy honor and glory forever. Send me and I will do as it was done in other worlds, I will drink from the bitter cup and pay the debt that we have with the demands of Justice. There is no reason why we should change a plan that is already perfect."

A laughter that reminded us of the Old Serpent’s cynicism echoed in the courts of the Heavenly Mansion. "Always thoughtful, this brother of mine! But how can we trust all our eternity on the shoulders of a demigod who will not even remember his own divinity? In passing through the veil of oblivion, Jehovah will be as lost as all of us on that earth, delivered to the same appeals of human nature we will be. He'll be a Scapegoat running aimlessly in the deserts of his own insecurities. If he yields to the impulses of his nature, even Thy Throne, Elohim, the only place we know as home, would be at stake. I just want to protect You and protect these fellow brothers of mine whom I love so much."

Hearing these words as they were a scary echo from the past, our Father closed His eyes, took a deep breath, approached His son and held out His hand.

"Lucifer, what do you know about the human condition? All you know are words and experiences from others because you have never experienced the corruption of blood in your own veins. Though this knowledge of yours is greater than that of your brethren, it is not perfect, for it is not the fruit of experience.

My knowledge of human nature on the other hand is real and personal for I have experienced it. I was a man before I was God and because I had such mortal experience I know which of My children would be able to pay this debt I can no longer pay.

If I still had blood in My veins, I would present myself before our creditors to quench their thirst for justice, I myself would drink the bitter cup and be crushed before them to satisfy their demands. However, all the blood that I had was already poured out to pay the debt of My fellow brothers."

"This suffering can be spared, my Father. We have been extorted by the demands of Justice for longer than we should."

"There is no extortion in our relationship to the demands of justice, My child, they provide us with the intelligences and the elements so that we can do our work, and they demand a price for it. It is nothing but fair that we pay the price they demand. Love can not be fully understood without fully understanding the need for justice. Justice has many eyes, sees through what is hidden, unveils all cloths. Love without the eyes of justice is only passion. And it is this passion for Me and this attachment for what you have here by My side that makes you unable to advance to your second state.

The fact is that you do not believe that your brother is able to pay your debt and you fear losing everything you have achieved here. And this passion distorts your vision and causes you to lose the measure of reason it is expected from those who occupy your position."

"I am the Morning Star. The son who comes closest to Your glory would not come up with a plan if he was not sure it would work. I love my fellow brothers too much to put them in danger. Let them decide then.

If You attach so much importance to their decision-making power, You must give them the right to choose whether they should follow this plan that the other Gods created before You and continue to do so in the universes in which They now inhabit — a plan that allows many to be lost and the demands of justice to grow their domains from time to time — or adhere to my plan and ensure that all of them are to come back to our presence free of any blemish.

I offer them security if they give up their freedom for a short time; You offer them freedom if they give up their memories for the same period of time. What assurances do they have that they will make good use of this blind liberty that this old-fashioned plan allows them to have? And how can they entrust their atonement to an equally hopelessly lost Scapegoat?"

At this point our Father realized that the words of the demigod had confused many of His children and raised His voice with great fury.

"My children, there is dissension in the Trinity: Lucifer, the Morning Star, who occupies a place beside Me in this Council, presented to you a plan I do not support, but I’ve noticed that many of you have been lured by his arguments. If all this cluster unanimously adheres to this plan, I will have no other choice but to retreat and leave you to your own fate.

However, Jehovah, who also serves by My side in this Council, and who understands that only by shedding his own blood he can carry out the work of Creation, offers himself as a sacrifice for those who raise their voices in support of the Plan of Happiness whose foundations were designed since before you existed.

Whom do you choose to serve?"

For the first time, that Sphere where we lived the threshold of our existence experienced the disorder of the abyss from where we had come. And there was great dissension among us. A real war of opinions has been waged. Heylel was very persuasive and his arguments made sense. It was not long before most of the brightest brethren were at his side. But Yahweh was persistent and charismatic. His emotional appeal touched many, and eventually he got the majority to support him.

After the voting, the Creator ordered all those who had been in favor of Heylel's plan to be banished from His presence.

And since then, Lucifer and a third of the spirits who supported him were no longer counted among the sons of Ahman. They did not keep their first state, because they were openly opposed to the Creator's will, and for this reason they could not advance with us to the next state, but their role in Eloim's plans was just beginning.

The Morning Star and its fallen angels felt themselves to be victims of the divine justice which seemed to them authoritarian and implausible and, by rebelling against the deity, they became the demands of justice of the new world that was about to be created, for only those who feel wronged can charge justice with property.

THIS WAS CHAPTER 2 OF THE NOVEL "IN THE BEGINNING WAS THE WORD", BY ELIUDE A SANTOS.
CHAPTER 3 IS STILL BEING TRANSLATED. 
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